No lugar de Homero, as investigações devem ser assumidas pelo chefe da Divisão de Crimes Contra a Vida, delegado Wágner Pinto. A partir de amanhã, o policial e sua equipe devem apurar todos e, inclusive, podem convocar novamente as testemunhas que já foram ouvidas na sexta-feira. Amanhã, o secretário estadual de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, deve ter acesso ao documento encaminhado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão vinculado ao governo federal, e se pronunciar sobre o caso. O fax, considerado de praxe em casos de grande repercussão pela secretaria, chegou sexta-feira, pedindo informações sobre o caso.
Depois de quase 12 horas escondido numa mata distante 270 quilômetros de BH, Biquinhas, Fábio Willian Silva Soares foi ao centro do município para comprar um par de tênis e foi reconhecido por moradores, sendo denunciado e detido. Em seguida à prisão, na Região Central, a Polícia Civil fez a transferência do acusado para Belo Horizonte e, à chegada dele na capital, o policial privilegiou o cinegrafista e o repórter de uma emissora de TV na gravação das cenas, o que causou polêmica na imprensa.
Até 30 de janeiro, o novo delegado deve concluir o inquérito sobre o caso e explicar os motivos de nada ter sido feito para proteger Maria depois dela ter denunciado por repetidas vezes as ameaças feitas por Fábio. Depois de cinco anos casados, os dois se separaram no começo do ano passado e, a partir daí, o ex-marido começou a perseguir a mulher, que registrou 10 queixas de ameaças.
Em maio do ano passado, a Justiça determinou que ele mantivesse distância de 200 metros da cabeleireira. Mas, em outubro, ele teria jogado uma bomba na entrada do salão de beleza onde trabalhava Maria, no Bairro Santa Mônica, na Pampulha. Por esse motivo, ela instalou câmeras de segurança no local, o que possibilitou a filmagem da cena cruel do homem atirando à queima-roupa contra a mulher, o que chocou todo o país.
No depoimento, o acusado preferiu permanecer calado, seguindo orientação do seu advogado. O borracheiro responderá por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Se condenado, a pena varia de 12 a 30 anos de prisão.