Polícia Civil conclui investigação e indicia técnico suspeito de filmar pacientes nuas em clínica de Itabira

Aparelho celular foi encontrado escondido durante exame; perícia aponta prática reiterada contra ao menos cinco mulheres

Polícia Civil conclui investigação e indicia técnico suspeito de filmar pacientes nuas em clínica de Itabira
Delegacia Regional da Polícia Civil de Itabira – Foto: Guilherme Guerra/DeFato Online
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apurou a conduta de um técnico de radiologia suspeito de filmar pacientes nuas durante atendimentos em uma clínica de Itabira. O caso, investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), teve início após uma denúncia registrada em novembro de 2025.

De acordo com as investigações, uma mulher de 28 anos percebeu a presença de um aparelho celular oculto no bolso de um jaleco durante a realização de um exame radiológico admissional. O dispositivo estava posicionado de forma estratégica para registrar imagens da paciente nua e sem o consentimento dela. O telefone pertencia ao profissional responsável pelo procedimento, um homem de 46 anos.

A partir da denúncia, a Polícia Civil instaurou inquérito e reuniu uma série de elementos, incluindo o depoimento da vítima, oitivas de testemunhas e laudos periciais. A perícia digital realizada no aparelho apreendido identificou arquivos de vídeo que mostram o momento em que o investigado preparava o equipamento para realizar as gravações antes da entrada das pacientes na sala de exame.

Ainda conforme a apuração, a prática não era isolada. A análise técnica apontou a existência de diversos registros armazenados no dispositivo, indicando que o comportamento era recorrente. Ao todo, a investigação identificou indícios de crimes contra pelo menos cinco mulheres.

Durante o interrogatório, o suspeito admitiu a conduta, alegando que teria agido por motivos relacionados à própria segurança — justificativa que não afastou a responsabilização criminal.

O delegado João Martins Teixeira Barbosa, responsável pela conclusão do inquérito, destacou a gravidade do caso, especialmente pela violação da confiança entre profissional de saúde e paciente. “A conduta apurada revela um profundo desrespeito à autodeterminação da imagem e à inviolabilidade da intimidade feminina. A análise técnica e os depoimentos colhidos ratificam o registro não autorizado da intimidade da vítima em contexto de atendimento profissional”, afirmou.

O homem foi indiciado por crime previsto no artigo 216-B do Código Penal, que trata do registro não autorizado da intimidade sexual. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que dará prosseguimento ao caso.