Polícia suspeita que maníaco voltava à cena do crime para acompanhar perícia
Aos poucos, o perfil psicológico do maníaco do Bairro Industrial, Marcos Antunes Trigueiro, de 31 anos, é revelado com a sua prisão, mostrando que ele agia sem piedade. A Polícia Civil apurou que ele chegou a retornar a alguns locais onde abandonara os carros das vítimas para acompanhar o trabalho da perícia, infiltrado na multidão […]
O carro da contadora Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35 anos – uma das cinco vítimas do maníaco –, foi abandonado em 12 de novembro do ano passado, na Rua Coronel Vicente Ferreira Carneiro com Avenida Benjamim Guimarães, a poucos metros da casa do acusado. Moradores do bairro garantem que ele acompanhou o tempo todo a perícia do veículo, testemunhando, inclusive, o desespero da família da vítima, que ainda não sabia que Edna estava morta e seu corpo jogado numa estrada de terra em Nova Lima, na Grande BH. “A gente chorando lá, sem saber ainda o que tinha acontecido com a minha irmã, e ele olhando para a gente, se divertindo com o nosso sofrimento”, disse o irmão da contadora, o carreteiro Éder Cordeiro, de 31 anos.
Marcos, que estava armado, estuprou a empresária num local deserto em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Ele retirou um dos cadarços do tênis da vítima e a estrangulou. Em seguida, dirigiu o carro da empresária até a Via Expressa, na Região Noroeste de BH, com o corpo da empresária e o bebê ao lado. Antes de abandonar o veículo com a vítima dentro, ele pôs a criança ao colo da mãe, já morta, fechou o carro, acionou o alarme e foi embora.
Mulher
A vendedora Rose Paula Teixeira Câmara, de 28 anos e mulher de Marcos Antunes Trigueiro, de 31, deve deixar nesta segunda-feira o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) do Bairro Horto, na Região Leste de Belo Horizonte, onde está detida desde quarta-feira. O advogado do maníaco, Rodrigo Bizzotto Randazzo, informou que a liberdade dela faz parte do acordo feito com o Ministério Público Estadual (MPE) para que o serial killer confessasse as mortes das cinco vítimas violentadas e estranguladas no ano passado.
“Não será oferecida denúncia contra ela. Há ausência de dolo. O promotor Francisco Santiago, que acompanha o caso, disse que vai pedir sua libertação”, ressaltou Randazzo. Rose foi detida porque estava com o celular de uma delas quando foi abordada em casa pelos policiais. O aparelho foi entregue à vendedora pelo marido – o roubo dos celulares era uma das “assinaturas” de Marcos.
A Polícia Civil e o MPE, pelo menos por enquanto, concluíram que a manicure não sabia das barbaridades cometidas pelo companheiro. Porém, em depoimento ao delegado Frederico Abelha, que conduz as investigações, ela contou que Marcos vinha se comportando de forma estranha, como dormir fora de casa.
O casal tem uma filha de 1 ano e meio. Nesta segunda-feira, assim que deixar o Ceresp, Rose receberá das mãos de Randazzo um bilhete de amor escrito pelo cliente, na última sexta-feira, de dentro da cela solitária do Ceresp do Bairro São Cristóvão, para onde Marcos foi levado na quarta-feira. “É uma declaração de amor a ela e aos filhos.”