Porto seco depende da ação de empresários, afirma superintendente
Engenheiro Marcus Zanotti afirma que porto seco geraria muitos serviços para Itabira e região
Empresários de Itabira se reuniam no auditório da Acita nessa segunda-feira, 17 de junho, para assistir a uma apresentação do superintendente geral de projetos do Porto de Vitória, Marcus Zanotti Breciani, sobre as possibilidades logísticas para Itabira e região. A palestra do engenheiro é consequência de uma visita do vice-prefeito e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Reginaldo Calixto, ao complexo portuário do Espírito Santo. A intenção do governo municipal é construir em Itabira um porto seco.
Marcus Zanotti ocupou boa parte de sua apresentação explicando a capacidade de movimentação de carga do Porto de Vitória e do complexo portuário como um todo, que é o maior da América Latina. “Estou aqui para vender meu peixe”, disse. De acordo com ele, Itabira vai ganhar muito em termos econômicos se construir em seu município um terminal de distribuição de cargas ou um porto seco – estrutura mais complexa. “A quantidade de serviços é quase que imensurável”, afirmou. Mas para o projeto realmente seguir adiante, é fundamental a participação da classe empresarial. A Prefeitura, na opinião do engenheiro, será uma importante indutora no processo.
Antes de começar sua apresentação, o superintendente fez questão de elogiar a iniciativa do governo em demonstrar interesse no projeto. O Porto de Vitória havia escolhido 10 cidades mineiras para apresentar seu projeto de expansão, e Itabira foi a primeira a se colocar à disposição. As obras, custeadas pelo Governo Federal, aumentarão a capacidade de movimentação de cargas, por isso a intenção em captar mais clientes, principalmente em Minas Gerais.
Itabira foi uma das escolhidas porque tem a Vale, que já utiliza o complexo portuário do Espírito Santo para escoar sua produção. Se a cidade construir um centro logístico de distribuição ou um porto seco, a linha férrea pode ser usada – se firmada uma parceria com a mineradora – para transportar cargas também de Vitória para Itabira, de onde os produtos seriam distribuídos à região. “Não será da noite para o dia. Isso tem de ser pensado a médio, longo prazo, até para dar sustentabilidade ao negócio”, disse o engenheiro.
Mesmo sem um porto seco, empresários de Itabira e região podem exportar seus produtos pelo Porto de Vitória, segundo o superintendente. “Não precisa ser um navio completo. Junta um container seu, com um de outro empresário, e manda”, afirmou. “Se não der pela ferrovia, use a rodovia mesmo”. Segundo Marcus, a primeira semente tem de ser plantada.
De acordo com Reginaldo Calixto, é um privilégio para Itabira ser a primeira cidade a se interessar pelo projeto do Porto de Vitória. “Como estivemos lá nos dias 16 e 17 de maio, a superintendência se ofereceu para realizar esta palestra aqui em Itabira. Como temos uma malha ferroviária que liga Itabira diretamente ao porto, entendemos que, em um futuro próximo, poderemos debater ideias e oportunidades com a empresa dona da linha férrea, a Vale”, destacou.