Prefeito Décio Santos fala sobre a questão das barragens em Barão de Cocais

Na última quarta-feira (18), a Vale divulgou a elevação do nível 2 da barragem Norte/Laranjeiras e evacuação dos moradores locais

Foto: DeFato Online

Esta semana, o prefeito reeleito de Barão de Cocais, Décio Santos (PSB), recebeu a informação, diretamente pela Vale, que a barragem Norte/Laranjeiras no município foi elevada a nível 2 de emergência. Por isso, será necessário evacuar a região, retirando as pessoas que pertencem a comunidade de suas propriedades. Segundo Décio, a mineradora alegou ter realizado uma reunião com Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Defesa Civil do Estado de Minas Gerais, informando que há mais de um ano estavam fazendo o estudo da trinca da barragem.

“A decisão de subir o nível de emergência da barragem foi tomada porque o estudo não ficou pronto. Um ano para fazer e não conseguiram concluir. É porque realmente tem algo sério ali”, diz o prefeito.

A notícia vem quase dois anos depois do primeiro cenário de evacuação, devido ao risco iminente de rompimento da barragem Sul Superior do Gongo Soco, pertencente a Vale. Hoje ela se encontra em nível 3 de emergência. Para o prefeito, barragem é uma herança maldita. “Desde quando entrei como prefeito, eu sempre lutei pelos os licenciamentos ambientais, consegui uns três e, detalhe, todos os licenciamentos ambientais que conseguimos são a seco. Se fossem licenciamentos com barragem, eu seria totalmente contra porque realmente não confio nessas estruturas”, conta.

“A barragem de Laranjeiras foi construída há pouco tempo e pelo método à jusante, considerado mais seguro. A Vale, hoje, tem quatro estruturas, com problemas, dentro da nossa cidade. Essa barragem de Laranjeiras está trazendo só o ônus, porque nós não recebemos nenhum centavo por tudo aquilo de rejeito que encheu aquela mina”, avalia.

Evacuação programada

O chefe do executivo afirmou que vai resguardar o direito das pessoas que vão ter que sair das suas casas. “Já conversei com eles e tive uma reunião com a Vale, com a Defesa Civil Estadual  e também com a Defesa Civil do Município. Exigi que fossem feitas todas as reparações, que se desse dignidade aos moradores”, informa.

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“Vai ser uma evacuação programada. Nada corrido igual foi o pessoal do Socorro, aquela covardia. Não vai ser dessa forma. Mas também, mesmo sendo uma coisa programada, também não é uma coisa muito bem aceita, eu tenho certeza. Eu conheço moradores ali que tem uma casa muito confortável”, relata o prefeito.

Décio disse já estar lutando para que a comunidade seja indenizada e tenham uma renda mensal temporária. Muitos deles vivem do plantio e demais atividades rurais. Ele também explicou que este novo cenário vai impactar o município de forma imensurável.

“Barão de Cocais sofre, as pessoas não conseguem separar as diferentes situações. A imagem da cidade vai pra lama de novo. A minha briga vai ser para resguardar esses direitos e cobrar da Vale que faça obras que melhorem o município. Já temos uma programação de minerar em 2021, acordada com a Vale. Precisamos correr atrás da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM)”, ressalta Décio.

Turismo prejudicado

O impacto para Barão de Cocais também virá por meio do turismo que pode ser muito afetado com essa nova situação de barragem. De acordo com o prefeito, já estava tudo muito difícil com o que a cidade sofreu em 2019, além da pandemia do coronavírus (Covid-19). Para ele, o município estava começando a recuperar o turismo e este novo cenário pode estar manchando o nome da cidade.

“Temos que trabalhar muito. A Vale precisa assumir a responsabilidade pois a cidade está revivendo tudo que o que passou em 2019. Vale lembrar que a barragem Sul Superior do Gongo ainda está em nível 3, e a barragem Sul Inferior em nível 2 de emergência”, desabafa.

Décio ainda informa que, além dessas duas barragens, existe uma pequena represa no Gongo Soco em nível 1 e, agora, a barragem de Laranjeiras em nível 2. “Quer dizer, Barão de Cocais está com quatro estruturas condenadas. A gente não sabe qual a veracidade e qual é o risco. Que cidades podem diversificar a economia para o lado do turismo com esse tipo de evento? A Vale tem que nos reparar de todos os danos, porque a cidade está agonizando novamente”, finaliza o prefeito.

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