Prefeitura de Congonhas aponta negligência da Vale após extravasamento com danos ambientais; empresa diz que estruturas seguem seguras
Prefeito cobra responsabilização e diz que impactos ambientais são inéditos no município
O extravasamento de água com sedimentos registrado em área da Vale, entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, reacendeu o alerta sobre a segurança das estruturas auxiliares da mineração e provocou impactos ambientais considerados inéditos na cidade histórica. Em coletiva de imprensa realizada na tarde da última segunda-feira (26), o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), afirmou que o episódio era previsível e apontou falhas de manutenção por parte da empresa.
“A alegação da empresa é o excesso de chuva, mas, particularmente, isso é altamente previsível. A mudança do regime de chuvas está aí e é necessário que todo mundo esteja preparado. Não dá para a gente contar com esse tipo de negligência da parte das empresas”, declarou.
Segundo o prefeito, o extravasamento não envolveu barragens de rejeitos, mas estruturas conhecidas como SAMPs — dispositivos auxiliares utilizados para conter a velocidade da água da drenagem pluvial e reter sedimentos dentro da área de mineração. “São centenas de SAMPs que existem nas áreas de mineração. E, talvez por negligência, por falta de cuidado ou de manutenção adequada, elas não foram capazes de conter o volume de água que veio com as chuvas”, afirmou.
Cabido explicou que o acúmulo excessivo fez com que essas estruturas fossem galgadas, termo técnico usado quando a água ultrapassa sua capacidade de contenção. “Isso gerou um volume que saiu do controle e causou todo esse dano ambiental incrível que a gente está vivendo, algo nunca antes visto em Congonhas”, disse.
Posicionamento da Vale
Em nota, a Vale afirmou que o ocorrido foi classificado como um extravasamento de água com sedimentos de uma cava, e não um rompimento de barragem, e que suas estruturas na região seguem com condições de estabilidade e segurança inalteradas, sendo monitoradas 24 horas por dia, sete dias por semana.
A mineradora informou ainda que suspendeu as operações nas áreas afetadas após determinação da Prefeitura de Congonhas, que está colaborando com as autoridades competentes e que irá se manifestar sobre as ações demandadas, incluindo medidas de controle, monitoramento e mitigação ambiental.
Defesa Civil explica funcionamento das estruturas
O responsável técnico pela Defesa Civil de Congonhas, Leilson da Silva Diniz, engenheiro civil e pós-graduado em engenharia geotécnica, explicou que, segundo informações repassadas pela própria empresa, 186 SAMPs foram afetadas. “Essas estruturas são cavadas no solo natural, não são barramentos. Elas servem para frear a energia da drenagem pluvial dentro da praça de mina”, explicou. Segundo ele, a área de mineração funciona como uma grande encosta, o que potencializa a força da água durante chuvas intensas.
Leilson destacou que as SAMPs exigem manutenção contínua para retirada dos materiais sólidos que se acumulam ao longo do tempo. “O que aconteceu foi uma chuva muito intensa em um curto espaço de tempo, com um volume que, ao que tudo indica, não foi previsto”, afirmou.
A Prefeitura de Congonhas segue aguardando providências do Estado e novos esclarecimentos da Vale sobre as medidas de contenção, reparação ambiental e eventual retomada das atividades.




