“Prefiro 10 mil desempregados do que 50 mil mortos”, diz Kalil sobre pandemia em BH

Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (14), prefeito da capital também anunciou uso obrigatório de máscaras para os moradores que saírem de casa

“Prefiro 10 mil desempregados do que 50 mil mortos”, diz Kalil sobre pandemia em BH
Foto: Divulgação/PBH

Na tarde desta terça-feira (14), o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), concedeu entrevista coletiva para tratar das medidas de contenção da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na capital. Entre diversas declarações, Kalil afirmou que prefere “10 mil desempregados do que 50 mil mortos”, referindo-se à medida de fechamento dos comércios não essenciais na cidade.

Alexandre Kalil ressaltou que a decisão pela restrição no funcionamento do comércio em BH é amparada “pela ciência” e que não cederá a pressões pela reabertura.

“BH optou pela ciência, pela tecnologia, pela matemática, e desse propósito não vai sair. Não vai adiantar pressão de nenhuma instituição, federação, confederação. Nada vai desviar o propósito de BH de não virar ‘Milão’. Um prefeito do interior disse uma frase que vou tentar plagiar: ‘Eu prefiro 10 mil desempregados do que 50 mil mortos’, enfatizou o chefe do Executivo municipal.

O prefeito de BH também afirmou que um novo decreto municipal, que dispõe de novas ações de contenção da pandemia da Covid-19 na cidade, será publicado na próxima sexta (17). Kalil adiantou que uma das medidas a ser tomada será o uso obrigatório de máscaras de proteção pelos moradores da capital que saírem de casa.

Kalil ressaltou que, inicialmente, quem descumprir a determinação será proibido de entrar em estabelecimentos do poder público. O prefeito da capital também disse que o importante é usar as máscaras, ainda que estas sejam improvisadas.

“Faz [máscara] com meia, faz com camisa, faz com fralda. A população tem que cuidar dela mesma. É todo mundo junto, nós só temos um inimigo. Se não tiver um capacete e o tiro estiver comendo, caça um penico e põe na cabeça”, disse Kalil.

Ainda sobre a utilização das máscaras pelos moradores, Kalil firmou que fará a distribuição para pessoas que estão “na miséria”.

“Faremos a entrega para os miseráveis, os invisíveis. Não somos obrigados a entregar pra população. O restante pode fazer com meia, camisa, fralda”, explicou o prefeito.

Quanto às medidas que estão sendo adotadas pela prefeitura de Belo Horizonte para a contenção da pandemia na capital, Alexandre Kalil afirmou que as providências são pensadas por uma comissão. Segundo o prefeito, infectologistas e outros especialistas da área da saúde integram a equipe, que discute e avalia diariamente as possibilidades e impactos das ações.

Relação com outros municípios

Durante a entrevista coletiva, Alexandre Kalil também falou sobre a relação da capital com os moradores que chegam à Belo Horizonte vindos de outros municípios. O prefeito disse que manterá contato com a Polícia Militar para informar quais cidades estão flexibilizando a abertura do comércio, indicando que BH fechará as portas para ônibus vindos desses locais.

“A respeito de prefeituras que simplesmente escrevem e não fiscalizam, nós contamos com o apoio da Polícia Militar para nos contar onde o contágio está sendo disseminado”, afirmou.