Presidência da Câmara abre disputa dentro da base governista
Os bastidores da Câmara de Vereadores de Itabira estão quentes. Ambos da base governista, Allaim Gomes (PDT) e Carlin Sacolão Filho (PODE), disputam a preferência dos colegas – e da própria administração municipal – para ocupar a cadeira que hoje pertence a Neidson Freitas (PP), cujo mandato de presidente termina em dezembro. A disputa é […]

Os bastidores da Câmara de Vereadores de Itabira estão quentes. Ambos da base governista, Allaim Gomes (PDT) e Carlin Sacolão Filho (PODE), disputam a preferência dos colegas – e da própria administração municipal – para ocupar a cadeira que hoje pertence a Neidson Freitas (PP), cujo mandato de presidente termina em dezembro.
A disputa é entre dois vereadores muito próximos ao prefeito Ronaldo Magalhães (PTB). Allaim ocupou a liderança de governo no ano passado e Carlin é o atual responsável pela função. Nenhum dos dois esconde a vontade de ocupar a presidência a partir do ano que vem. E há quem já preocupe que esse confronto possa deixar sequelas na base de sustentação ao Executivo.
Durante a reunião ordinária da Câmara nesta terça-feira, 30 de outubro, o vereador Paulo Soares (PRB) procurou a imprensa para mandar um claro recado ao governo. Disse que, apesar de ser necessário manter a independência entre os poderes, o Executivo precisa conversar com sua base para acalmar os ânimos. Citou, inclusive, exemplo da gestão passada, de Damon Lázaro de Sena (PV), quando a oposição cresceu na Câmara por falta de articulação.
“Que essa discussão seja articulada com o governo. O que não dá é a bancada do governo fazer essa disputa isoladamente. O governo tem que definir, dentro de um processo articulatório. Tem que evitar a disputa acirrada. Porque o governo não gosta de se queimar, ninguém gosta”, disse Paulo, que prosseguiu: “Se o governo se omitir, se falar que não tem nada a ver com isso, dá no que dá, como foi com o Damon. O governo não pode ser covarde. O governo tem que tomar posição, mesmo o Legislativo sendo independente. Não estou falando de autonomia, estou falando é de bancada, para que a gente não tenha uma disputa de dois companheiros, fazendo uma divisão, que é tudo que nós não queremos”.

Os postulantes
Ex-líder do governo na Câmara, Allaim já havia manifestado interesse em presidir a Câmara no início de 2016. Naquela época, ao se reeleger como o vereador mais bem votado, disse com clareza que queria o comando do Legislativo, mas acabou perdendo a disputa interna para Neidson Freitas. Agora, adota discurso mais moderado, apesar de não negar o desejo.
“Eu não quero colocar meu nome acima de qualquer coisa, tem que ser algo bem detalhado, assim como os outros também estão procurando espaço. Na medida do possível vão se definindo as situações. Eu acho que precisa ser algo de consenso, mas, se houver oportunidade, eu tenho vontade, sim, de estar à frente”, afirma.
Já Carlin, atual líder do governo, é mais direto. Ele confirmou que conversa com os colegas sobre a possibilidade de ser o presidente. “Não vou esconder o meu interesse. Acredito que a gente vá entrar em um denominador comum e encontrar um nome que atenda a instituição em si. Eu, como líder do governo, tenho plenas condições de ocupar a cadeira”, diz.

Diplomacia
Questionados sobre a possibilidade levantada por Paulo Soares, de que a disputa possa resultar em um racha na base governista, os dois disseram não acreditar nessa hipótese e foram diplomáticos com o colega.
“Eu e o Carlin temos uma relação muito boa. Não é por causa de eleição que estou falando isso. Cada um tem seus princípios, suas opiniões, e a gente tem que respeitar. Se for ele, se for eu, se for o Paulo Soares, se for o Neidson, quem quer que seja, a gente tem que respeitar e estar juntos aqui na Câmara. A Câmara é um poder legislativo que representa toda uma cidade. A disputa na Câmara é para escolher uma pessoa que ficará à frente para nos representar somente. O que tem de prevalecer é o consenso, o desejo da maioria. É isso que a gente espera que aconteça”, comentou Allaim.
“A gente tem essa maturidade de entender o momento e o alinhamento do governo. O que a gente precisa neste momento é unir as forças para resolver as demandas da nossa cidade. A gente vai estar sempre com o intuito de somar forças e nunca dividir. A cidade precisa muito dessa união entre os vereadores, para que possamos achar uma solução para amenizar o sofrimento da nossa população”, concordou Carlin.
A eleição para a nova Mesa Diretora da Câmara precisa acontecer até o dia 18 de dezembro, data da última reunião ordinária do Legislativo neste ano. A previsão, no entanto, é de que o processo aconteça já em novembro.




