Primeira etapa de vacinação contra a brucelose está na reta final em Minas

Prazo da primeira etapa da campanha termina em 30 de junho; produtores devem vacinar bezerras entre 3 e 8 meses e fazer a declaração ao IMA até 10 de julho

Primeira etapa de vacinação contra a brucelose está na reta final em Minas

Faltam menos de 15 dias para o encerramento da primeira etapa da campanha de vacinação contra a brucelose em Minas Gerais. Até o dia 30 de junho, produtores rurais que possuem bezerras bovinas e bubalinas com idade entre 3 e 8 meses devem garantir a imunização dos animais. Após a vacinação, também é obrigatória a declaração junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que deve ser feita até 10 de julho.

A brucelose é uma doença que afeta diretamente a produção pecuária, podendo causar abortos, redução da fertilidade e outros problemas reprodutivos nos rebanhos. Além dos prejuízos econômicos, trata-se de uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida dos animais para os seres humanos.

Em 2025, mais de 2,1 milhões de bezerras bovinas e bubalinas foram imunizadas em Minas Gerais, o que garantiu uma cobertura vacinal de 84%, acima dos 80% registrados no ano anterior.

Segundo a coordenadora estadual do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), Guaraciaba Santana, o acompanhamento das etapas de vacinação é fundamental para a proteção dos rebanhos. “O controle da brucelose começa com um cuidado simples: identificar as bezerras que atingiram a idade de vacinação e garantir que sejam imunizadas dentro do prazo. Esse acompanhamento faz diferença para a proteção do rebanho ao longo dos anos”, afirma.

Após a imunização, a declaração ao IMA pode ser realizada a qualquer momento. No entanto, para manter a regularidade da propriedade, os produtores devem respeitar os prazos estabelecidos: na primeira etapa, até 10 de julho; e na segunda, até 10 de janeiro de 2027.

Impactos na cadeia produtiva

A enfermidade também gera impactos diretos na cadeia produtiva, com prejuízos que podem se estender ao longo do tempo. Entre os efeitos estão queda da fertilidade, nascimento de crias debilitadas e redução da produtividade dos rebanhos. “Quando a doença entra na propriedade, os prejuízos costumam aparecer ao longo do tempo. Além das perdas reprodutivas, o produtor pode enfrentar dificuldades para repor animais e manter o desempenho esperado do rebanho”, explica Guaraciaba.

Os reflexos também atingem atividades como a produção de queijos artesanais. A legislação exige que os produtos sejam elaborados em propriedades certificadas como livres de brucelose e tuberculose pelo serviço oficial de defesa agropecuária. Em Minas Gerais, a certificação é emitida pelo IMA e tem validade em todo o país.

O controle da doença também contribui para a segurança alimentar e para a redução do risco de transmissão à população. Segundo a coordenadora, medidas simples como o consumo de leite fervido ou pasteurizado e de produtos de origem animal com procedência garantida são essenciais para evitar a brucelose humana.

Orientações aos produtores

A vacinação contra a brucelose exige cuidados específicos e deve ser realizada por médico-veterinário cadastrado no IMA, responsável pela emissão da receita de compra da vacina e do atestado de imunização.

Após a aplicação, as bezerras devem ser identificadas por marcação no lado esquerdo da face. No caso da vacina B19, a marca corresponde ao último algarismo do ano de vacinação — em 2026, o número “6”. Já os animais imunizados com a vacina RB51 recebem a marcação com a letra “V”.

O produtor também deve ficar atento a possíveis sinais da doença no rebanho. A identificação precoce de casos suspeitos contribui para o controle sanitário. A partir da notificação feita por médico-veterinário, o IMA realiza a investigação e adota as medidas necessárias. Em caso de suspeita, é fundamental procurar um profissional habilitado para a realização dos exames. Confirmado o diagnóstico, a notificação ao órgão é obrigatória.