Primeiras movimentações do mercado para 2026 escancaram a pouca moral dos treinadores brasileiros

A preferência dos clubes – sobretudo os de elite – pelos gringos é um recado claro de que nomes como Cuca, Luxemburgo e Renato Gaúcho pararam no tempo

Primeiras movimentações do mercado para 2026 escancaram a pouca moral dos treinadores brasileiros
Foto: Pedro H. Tesch/Grêmio FBPA

2025 chegou ao fim e os clubes da Série A já se movimentam para 2026, com a tradicional dança das cadeiras dos treinadores pegando fogo desde dezembro. E um detalhe importante chama a atenção: dos seis clubes que contrataram novos técnicos até a produção deste texto, quatro apostaram em estrangeiros.

Enquanto Inter e Grêmio trouxeram Pezzolano e Luís Castro, o Remo, de volta à elite nacional após 21 anos, foi ousado e fechou com Juan Carlos Osório. O Botafogo, por sua vez, anunciou o argentino Martín Anselmi.

Claro, os professores brasileiros também se movimentaram no mercado, com destaque para a ida de Tite ao Cruzeiro. Mas isso tem se tornado cada vez mais raro, principalmente se considerarmos os treinadores mais antigos. Neste contexto, Tite surge praticamente como uma exceção.

Outro com um pouco mais de moral é Dorival Jr, campeão da Copa do Brasil neste ano e, assim como o novo comandante cruzeirense, com passagem recente pela seleção. Aliás, encorajado pelo título conquistado no Maracanã, o treinador do Corinthians desabafou sobre um suposto preconceito com os técnicos brasileiros na entrevista pós-jogo.

Mas o cenário deveria gerar mais reflexões do que revoltas. A preferência dos clubes – sobretudo os de elite – pelos gringos é um recado claro de que nomes como Cuca, Luxemburgo e Renato Gaúcho pararam no tempo.

Além de se basearem em métodos de jogo superados, essas e outras figuras simplesmente não aceitam o novo em um esporte que muda diariamente. Dessa forma, só são contratados em situações de emergência ou por dirigentes tão obsoletos quanto eles.

Nos resta confiar que treinadores mais novos, como Seabra e Rafael Guanaes, não se prestem a este papel no futuro. Ou teremos um Brasileirão cada vez mais internacional, pelo menos à beira do campo.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

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