Processo seletivo do HCC preocupa vereadores: “Atrapalhado”

Em reunião em Ipoema, vereadores falaram sobre o processo de contratação para o HCC

Processo seletivo do HCC preocupa vereadores: “Atrapalhado”

O processo seletivo para contratação de funcionários para o Hospital Carlos Chagas (HCC) foi criticado pelos vereadores de Itabira durante a reunião da Câmara dessa terça-feira, 19 de abril. O encontro aconteceu no salão paroquial do distrito de Ipoema. Oposição e situação classificaram o certame organizado pela Fundação São Francisco Xavier (FSFX) como “atrapalhado”. O presidente da Comissão de Saúde, Geraldo Torrinha (PHS), apresentou requerimento para que todas as informações relativas ao processo sejam compartilhadas com o Legislativo.

Torrinha voltou a reclamar do curto prazo para inscrições e do sistema instável disponibilizado pela entidade de Ipatinga, que constantemente saía do ar por causa de sobrecarga. Outra crítica foi quanto ao modelo de cadastro. Para o vereador, a FSFX deveria ter adotado um modelo que prestigiasse mais os itabiranos, como inscrições presenciais, por exemplo. “As coisas estão sendo feitas de maneiras atrapalhadas. Desde o início, quando veio a decisão de tornar o Carlos Chagas 100% SUS. A confusão se reflete no processo de contratação”, afirmou Torrinha.

O presidente da Comissão de Saúde também manifestou preocupação com relação aos médicos. De acordo com ele, os profissionais que atualmente trabalham no HCC estão com receio de não serem contratados, especialmente os que estão se posicionando contrariamente às mudanças. “Médicos que trabalham há 40 anos no HCC terão que concorrer em nível de igualdade com novatos e profissionais de outras cidades. O medo deles é que seja tudo na base do famoso QI, o quem indica”, discursou o oposicionista.

Allaim Gomes (PDT) pediu que o processo seletivo dos médicos também tenha cláusulas que confiram pontuação diferenciada aos médicos que já atuem em área hospitalar e que já possuam maior tempo de atividade. Esse modelo foi adotado no processo de contratação de pessoal técnico, que teve as provas realizadas no último fim de semana. Palhaço Batatinha (PSDB) disse não ser contra pessoas de fora virem para Itabira, mas concordou que o processo deveria privilegiar os itabiranos, ainda mais por causa do grande número de desempregados na cidade.

Milhares de pessoas

De acordo com a FSFX, mais de 6 mil pessoas, de 274 cidades de 20 estados do Brasil se inscreveram para fazer a prova. Desse total, segundo matéria do Diário de Itabira, 3.894 (61,30%) compareceram para realizar as avaliações. A entidade considerou o processo satisfatório e citou que, mesmo com a instabilidade no sistema, quase 10 mil inscrições foram efetivadas. Grande parte delas foi eliminada porque os candidatos se cadastraram em duas ou mais vagas, o que era proibido.

Os vereadores, no entanto, não concordam que houve sucesso no processo. Marcela Cristina (PR), Ilton Magalhães (PR) e Bernardo Mucida (PSB) reclamaram que a entidade e a Secretaria Municipal de Saúde não atenderam a um requerimento aprovado pela Câmara para que o prazo de inscrições fosse estendido. Outro pedido, para a inclusão de salários e cargas horárias no edital, foi atendido. “Esta Casa precisa ser respeitada. Mesmo se a resposta fosse não, ela precisaria ser dada. Infelizmente, a Prefeitura de Itabira tem o péssimo hábito de não responder demandas da Câmara. Espero que a nova administradora do Carlos Chagas não siga esse caminho”, reclamou Ilton.

Paulo Soares (PSB), Lúcio Mauro (PSC) e Tãozinho Leite (SD) falaram sobre a questão do desemprego e de que seria importante a FSFX ter atendido o pedido da Câmara para que mais pessoas se inscrevessem no processo. Eles também demonstraram preocupação com o índice de candidatos de outras cidades na disputa pelas vagas no HCC.

 

Toninho da Pedreira (PPS) reforçou convite para que a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Francisca Lilian, vá a Câmara falar sobre todo o processo de mudanças no Hospital Carlos Chagas. Ele quer, inclusive, que o órgão de controle social exija da FSFX um balanço, após a contratação, de quantos são de Itabira e qual o percentual de pessoas de outras cidades.