Produtores de etanol enfrentam crise
A política de interferência nos preços dos combustíveis, adotada pelo governo federal como forma de segurar a inflação, tem levado à falência empresas produtoras de etanol. Em todo o país, nos últimos três anos, 50 usinas pararam de produzir, sendo seis delas em Minas Gerais. Outras quatro agonizam no Estado e estão prestes a seguir […]
A política de interferência nos preços dos combustíveis, adotada pelo governo federal como forma de segurar a inflação, tem levado à falência empresas produtoras de etanol. Em todo o país, nos últimos três anos, 50 usinas pararam de produzir, sendo seis delas em Minas Gerais. Outras quatro agonizam no Estado e estão prestes a seguir o mesmo destino. Somente os produtores mineiros quantificaram um prejuízo de R$ 150 milhões em 2013 em decorrência da disparidade entre custo de produção e preços de venda do combustível no mercado.
"Como o preço do etanol está balizado em uma relação com o valor da gasolina, a ação do governo de segurar os reajustes dos combustíveis nos afetam. Com o aumento dos custos de produção, fica cada vez mais difícil alcançar a paridade de 70%, tida como ideal entre os dois combustíveis", afirma o presidente-executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.
Minas Gerais tem hoje 39 usinas em atividade, que no ano passado foram responsável pela produção de 2,5 bilhões de litros de etanol. Do total produzido, 1,3 bilhão é de hidratado, ou seja, utilizado puro nas bombas. O 1,2 bilhão é de anidro, que é misturado à gasolina.
Para este ano, a estimativa é de haver uma queda de 10% na produção do combustível no Estado, o que equivale a um montante de 2,25 bilhões de litros. O volume é inferior à capacidade de produção mineira, que supera os 3 bilhões de litros.
Porém, o potencial produtivo das usinas está desperdiçado em decorrência da política governamental. Conforme lembra Campos, para haver aumento da produção seria necessária a realização de investimentos para ampliar a área cultivada de cana-de-açúcar. "Os produtores já estão trabalhando com prejuízo, então não há como investir mais", afirma.
Para se ter uma ideia, levando em conta o preço médio de venda do combustível pelos usineiros e os custos de produção, houve um prejuízo de aproximadamente R$ 150 milhões no ano passado, segundo projeções da Siamig.
Endividamento
Dessa forma, os aportes aproximados de US$ 4 bilhões feitos para a construção de 20 usinas e expansão da capacidade das plantas já existentes, entre os anos de 2003 e 2010, ainda não geraram retorno financeiro. Muitos produtores acabaram elevando o nível de endividamento após os investimentos e não conseguiram nem mesmo quitar essa conta até hoje.
Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, a estratégia de controle do preço da gasolina gera problemas muito mais graves do que a alta da inflação que a medida visa combater. "O governo conseguiu prejudicar de uma só vez a Petrobras, que está endividada, aumentando a importação de combustíveis, e a produção de etanol. O resultado no curto prazo é a redução dos investimentos e menor abertura de postos de trabalho. E ao final, em algum momento, a gasolina terá que encarecer e a inflação vai sofrer o impacto da mesma forma", argumenta.
O superintendente do Instituto de Estudos da Agropecuária (Inaes), Pierre Vilela, lembra que até mesmo a geração de energia elétrica acaba afetada. "A energia gerada com o bagaço da cana também não deslancha por falta de estímulo do governo. Sem investimentos para aumentar a plantação de cana, essa geração alternativa fica prejudicada", afirma. (Diário do Comércio)