Professora aponta esperança e dedicação como combustíveis para futuro da profissão

Ser professor já foi considerado um sonho. Lecionar, se responsabilizar pela formação das pessoas era uma das profissões mais valorizadas pela comunidade. Ainda deveria ser. A grandeza da atividade continua a mesma, mas infelizmente o reconhecimento social mudou. No dia 15 de outubro, data em que se comemora o Dia dos Professores, o maior pedido […]

Professora aponta esperança e dedicação como combustíveis para futuro da profissão
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Ser professor já foi considerado um sonho. Lecionar, se responsabilizar pela formação das pessoas era uma das profissões mais valorizadas pela comunidade. Ainda deveria ser. A grandeza da atividade continua a mesma, mas infelizmente o reconhecimento social mudou.

No dia 15 de outubro, data em que se comemora o Dia dos Professores, o maior pedido de quem impulsiona os primeiros passos para qualquer carreira é o respeito.

A brincadeira de escolinha com os irmãos foi o principal incentivo para a itabirana Gisele Andrade Félix Panta ingressar na área e completar 28 anos de carreira. Professora por amor, Gisele chegou ao magistério na juventude, concluiu o curso e posteriormente licenciou-se em Geografia, com habilitação em História. O investimento na educação também rendeu à docente, mais tarde, uma pós graduação em Orientação Escolar.

Concursada pela rede municipal, a itabirana leciona para as conhecidas séries iniciais da Escola Municipal Água Fresca e não esconde o seu amor pela alfabetização. “Brincando em casa eu alfabetizei o meu irmão. Na verdade eu não me tornei professora, eu nasci professora”, diz.

Com o passar dos anos, os professores, que eram os detentores do conhecimento, começaram a ser visto com outros olhos. “A visão que a sociedade tem do professor mudou muito. As mães te ouviam, respeitavam aquilo que você falava. Nós éramos donos do saber. Não éramos, mas a sociedade acolhia a gente melhor. Os alunos tinham respeito”, ressalta a educadora.

Gisele Andrade Félix Panta leciona atualmente na Escola Municipal Água Fresca

O número de profissionais satisfeitos na educação tem diminuído muito nos últimos anos. Dificuldades como a estagnação salarial e a falta de investimentos são apontados como uma questão nacional que precisa de atenção dos poderes públicos. Para Gisele o maior problema mesmo é desvalorização da classe e falta de renovação de professores.

“Alguns professores tem se assustado com a realidade. Não é o caso de Itabira, mas em muitos lugares vemos professores sendo agredidos, físico e verbalmente, por pais, pelos próprios alunos, então uma pessoa que vai procurar uma profissão hoje, não vai querer isso pra ele. Vemos isso com tristeza. Nós que somos professores alfabetizadores percebemos que muitas faculdades não abrem mais cursos de licenciatura, porque não tem público. Vemos o curso de pedagogia, com profissionais bem formados, mas as áreas específicas não tem apresentado um número satisfatório de pessoas”, confirma.

Gisele se emociona ao falar da profissão e confirma a sua esperança quanto ao futuro da classe. “Sempre pedi para que meu brilho no olhar nunca acabasse com o passar do tempo. Com todas as dificuldades, é o caminho que escolhi pra mim”.

Para os futuros professores, a educadora, que está perto de se aposentar, deixa o pedido para que não desistam do ofício. “Não temos fórmula mágica, mas estamos com o mesmo objetivo. Aos que pensam e gostam da profissão, se juntem a nós. Não tem satisfação maior do que ver um ex-aluno te reconhecendo com um olhar doce”, finalizou.