Projeto de Júlio do Combem homenageia os 100 anos de líder quilombola itabirana
Caso aprovado, PL institui 2024 como “Ano Municipal do Centenário de Maria Gregório Ventura”

Matriarca da comunidade do Morro Santo Antônio, em Itabira, Maria Gregório Ventura, a Tita, completará 100 anos em 2024. E uma das homenagens pela data poderá vir em forma de lei. Elaborado pelo vereador José Júlio Rodrigues “do Combem” (PP), o projeto de lei (PL) 97/2023 institui 2024 como “Ano Municipal do Centenário de Maria Gregório Ventura”. Dona de uma história marcada por muita luta e resistência, Tita superou uma infância sofrida para se tornar uma importante líder comunitária. Também ficou conhecida, em todo o estado, pelo seu amplo conhecimento em ervas medicinais. Clique aqui para ler o projeto na íntegra.

Para Júlio do Combem, o PL é uma maneira de manter viva a história do povo preto itabirano, bem como reforçar o papel signficativo dessa parcela importante da população no dia a dia da cidade.
“A escolha da Tita, matriarca do quilombo do Morro Santo Antônio, acontece em um momento no qual precisamos preservar a história e fortalecer a presença do homem e da mulher preta na comunidade itabirana e as contribuições que todos nós demos à cidade e ao país. E a Tita é uma pessoa que, com 100 anos, está firme e forte, que trabalhou pelo país inteiro. E hoje, voltando para a comunidade do Morro Santo Antônio, contribui através de palestras e cursos na UEMG, na Funcesi, porque ela tem o conhecimento das ervas medicinais. Então, além de preservar a história do povo preto na história de Itabira, também precisamos reforçar o quanto precisamos dessa valorização. E principalmente diminuir os abismos que existem entre homens e mulheres dentro da nossa sociedade, principalmente por causa de questões de raça e gênero”.

Atual presidente da associação do Morro Santo Antônio, Vinicios de Souza acompanhou a votação do projeto – aprovado por unanimidade em primeiro turno. Segundo o líder comunitário, a proposta ajuda a contar a história de Itabira, pouco conhecida até pelos próprios moradores.
“Acho que (o projeto) é muito importante, primeiramente, para nosso povo quilombola, e também para Itabira. Porque é uma cidade que tem mais de 300 anos de história e a maioria da população ainda não sabe da sua origem, vários itabiranos não sabem o que é uma comunidade quilombola”, ressalta.
“Somos uma população que 72% se considera preta, então temos que lutar para ocupar esses espaços e buscar diretrizes sobre a questão do preconceito. Entender que nossos ancestrais construíram tanto Itabira quanto o país, não eram escravos, eles foram escravizados. Então quando se fala muito do preconceito e do racismo, talvez as pessoas não entendam, mas não houve um pedido para vir. Todos sofreram, construíram tudo e foram apagados”.

Por fim, Vinicios enfatiza que seu mandato, iniciado há poucos dias, tem como um dos objetivos o reconhecimento da principal comunidade quilombola de Itabira.
“Neste novo mandato vamos buscar pela titulação das terras e, de uma vez por todas, entrar no cenário de Itabira para buscar nosso lugar. E uma das primeiras medidas é transformar 2024 como o Ano Municipal Maria Gregório Ventura, que é nossa matriarca. É só o início da ocupação de um espaço que é de todos nós”, finaliza.





