Projeto Mãe D água é premiado pelo Governo Federal

Mesa composta para entrega das Premiações com a presidencia da mesa do Ministro do Meio Ambiente-José Maxhado

Projeto Mãe D água é premiado pelo Governo Federal
O projeto Mãe D’água foi premiado nesta quarta-feira (8), pelo Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas em situação de vulnerabilidade e degradação ambiental, do Ministério do Meio Ambiente. Em Brasília, o prefeito João Izael, a equipe do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabira (Saae), o presidente da Câmara de Itabira, Neidson de Freitas, e o vereador Élson Sá, acompanharam a primeira Chamada Pública para a entrega do certificado de práticas inovadoras em revitalização de bacias hidrográficas.
 
O projeto foi selecionado na categoria Município, com o tema Conservação e recuperação de solos, água e biodiversidade. Conquistou a primeira colocação com 75 pontos, seguido das prefeituras de Ouro Preto/MG e Barbosa/SP (65 e 63 pontos). Ao todo participaram da seleção, 69 trabalhos de 24 municípios, 11 instituições de pesquisa e/ou tecnologia e oito organizações civis sem fins lucrativos. De acordo com Dartison da Piedade Fonseca, engenheiro civil do Saae, com o resultado, foi constituído um banco de informações com as experiências e práticas inovadoras eficientes, “com vista a oferecer modelos para outras regiões do Brasil aplicarem essas experiências e contribuir com a revitalização de bacias hidrográficas”, explicou. Para o técnico agropecuário da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAA), Gilmar Bretas Martins Cruz, o reconhecimento do projeto Mãe D’água facilita a busca dos recursos financeiros. “O certificado dá ainda mais credibilidade para o trabalho e nos encoraja a seguir, buscando, principalmente, os recursos que sempre precisamos”, ressaltou.
 
Ações
A Estação de Tratamento de Água (ETA) “Pureza”, que trata a água captada no Ribeirão Candidópolis, abastece cerca de 55% do município, segundo o engenheiro Dartison Fonseca. Também de acordo com ele, antes da implantação do Mãe D’água, mais de 60% das matas ciliares estavam degradadas ou não existiam. “O principal objetivo do projeto é devolver à bacia hidrográfica a sua capacidade de reter a água, porque devido ao desmatamento e a degradação, a área perdeu a capacidade de produzir água”, explicou. Para alcançar o objetivo, o projeto propõe técnicas de baixo custo, “como o cercamento e o reflorestamento com espécies nativas”, esclareceu Gilmar Cruz. Ainda segundo o técnico, a partir de experiências desenvolvidas por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em áreas com condições de solo e relevo semelhantes, foram definidas as ações para revitalizar o manancial Candidópolis.
 
Desde 2006 foram construídos mais de 100 km de mini-terraços em curvas de nível em todas as encostas tecnicamente recomendadas. Foram colocadas 120 caixas de captação de enxurradas, 300 paliçadas, 25 km de cercas e plantio de 65 mil mudas de espécies nativas da região. Também foram instaladas oito fossas sépticas para o tratamento dos esgotos domésticos das residências do manancial. “Isso é o inicio, é a semente plantada. A Pureza tem uma área total de 3,4 mil hectares e o que fizemos corresponde a 20%, ou seja, ainda precisamos fazer muito”, declarou Dartison.
 
Diferencial e resultados
Usar terras públicas existentes no interior do manancial para fazer as intervenções do projeto, “no primeiro momento”, possibilitou o diálogo dos gestores com os proprietários rurais da região. Segundo Gilmar, alguns temiam perder a posse das terras com o cercamento e reflorestamento da área. “Eles também perceberam que nada reduzia a produtividade de suas terras, pelo contrário, aumentado a umidade no solo por mais tempo, as pastagens melhoravam e tinham boas condições o ano inteiro”, acrescentou. Ainda segundo ele, a população contribui muito quando permite o trabalho na propriedade. “É bom para o município, que aumenta a oferta de água e bom para o produtor, porque aumentar a água viabiliza a sua produção e valoriza a terra”. 
 
Desde a implantação do projeto, o Saae verificou o aumento de 50 minutos do tempo de vazão das águas pluviais. “Antes era de 30 minutos, agora é de uma hora e vinte minutos. Essas medidas impediram que as águas escoassem rapidamente. Elas encontraram barreiras e ficaram mais tempo na área”, frisou Dartison. O resultado permitiu maior infiltração da água no solo, “o que melhora a recarga do aquífero”. Além dos resultados hídricos, o projeto promoveu melhoria das condições ambientais com o reflorestamento das áreas degradadas.
 
Dartison Fonseca informou que desde 2006, cerca de R$ 1,5 milhão foram investidos no Mãe D’água e, atualmente, 12 pessoas da região do manancial foram contratadas pelo Saae e fazem parte da equipe que trabalha no projeto.