Em outubro de 2020 muitos itabiranos se comoveram com a história do Thor, um filhote que foi covardemente agredido e abandonado em um lote vago, no bairro Vila Amélia. Na ocasião, o cãozinho, sem raça definida, foi resgatado pela Associação de Moradores Protetores dos Animais da Região de Itabira (Ampari).
Após o regate, Thor recebeu diversos cuidados em uma clínica veterinária da cidade. Entre eles, procedimentos extremamente invasivos. Ele precisou passar por cirurgias de amputação de duas patinhas, parte de uma das orelhas e do rabinho.
O caso do Thor chamou a atenção de pessoas que se empenharam em ajudar o animal, como é o caso do estudante Aislan Lúcio Valério. Logo quando soube da história, Aislan idealizou a criação de uma prótese que possibilitasse ao filhote retomar seus movimentos.
O primeiro protótipo, desenvolvido pelo estudante, foi em PVC. Mas, segundo Aislan Valério, o material é “muito bruto” e que a melhor opção ao seria uma cadeirinha 3D. Tendo isso em mente, ele firmou parceria com as empresas juniores Bolt e Atlas, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei).
Assim, juntos, eles deram início ao Projeto Thor. Agora, o filhotinho será apenas o primeiro a se beneficiar com o projeto. A ideia é atender a outros animais que sofreram com problemas semelhantes e, futuramente, até pessoas.
“Nosso principal intuito, no primeiro momento, é o de confeccionar uma prótese para o Thor. Mas, posteriormente, desejamos continuar com um projeto mais amplo e com capacidade para atender outros indivíduos, tanto humanos como não-humanos. Através dessa proposta desejamos, também, sensibilizar a sociedade sobre as necessidades dos animais e demonstrar que, com estudo e aplicação de novas tecnologias, é possível trazer conforto para aqueles que perderam ou mesmo nasceram sem capacidade de locomoção”, contou Aislan Valério.
Para a elaboração da prótese em 3D, as equipes da Bolt Jr. e Atlas Jr. realizaram a vaquinha online que, felizmente, alcançou a meta em um tempo muito bom. Com a confecção do protótipo, os responsáveis pelo projeto esperam, também, dar visibilidade à importância dessa ação em Itabira.
“A nossa intenção é estender essa ideia. Com projeto crescendo e sendo notado pelas pessoas, fica possível investir em próteses para outros animais, bem como em novos estudos, para que possamos, futuramente, investir em protótipos para seres humanos”, pontuou Aislan.
O estudante ainda deu a sua opinião sobre o impacto positivo que o protótipo pode trazer à vida dos animais e das pessoas:
“Certamente a locomoção é um fator crucial para a manutenção das necessidades básicas de qualquer animal. Não sou psicólogo, mas imagino que a falta de locomoção pode gerar frustrações que podem levar à depressão. Com a prótese, será possível devolver, pelo menos parcialmente, o conforto que os membros originais proporcionavam ao Thor e em contrapartida reduzir o trabalho das pessoas que convivem com o animalzinho”, concluiu Aislan.

