Quarta pelotização
Projeto Quarta Pelotização (P4P) começou a sair do papel em maio de 2011 e vai empregar, no pico das obras, 13.000 pessoas
Controlada em partes iguais pela Vale e BHP Billiton, as duas maiores mineradoras do mundo, a Samarco desenvolve um megaprojeto, em cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, que vai elevar sua capacidade produtiva em 37% a partir de 2014. O Projeto Quarta Pelotização (P4P) começou a sair do papel em maio de 2011 e vai empregar, no pico das obras, 13.000 pessoas. Atualmente 11.500 profissionais trabalham nos canteiros e já concluíram 59% dos serviços, considerando atividades de suprimentos, engenharia e construção.
Os investimentos são volumosos: R$ 5,4 bilhões. Deste montante, R$ 1,85 bilhão são aplicados nas obras do terceiro concentrador, em Germano (Mariana/Ouro Preto), R$1,6 bilhão no terceiro mineroduto (entre Minas e Espírito Santo); e R$1,95 bilhão na quarta usina de pelotização, no Espírito Santo.
Só em Germano, 4.300 pessoas trabalham na obra atualmente, das quais cerca de 50% são residentes dos municípios da chamada Área de Influência Direta (AID), que são Ouro Preto, Mariana, Santa Bárbara e Catas Altas. Como o projeto ainda não chegou a seu estágio de maior movimento, a procura por mão de obra continua.
A Samarco afirma que as cidades dentro da área de influência direta do empreendimento têm prioridade na seleção e contratação de pessoal. A intenção, de acordo com a empresa, é dinamizar a economia local, a partir da geração de emprego e renda no território, e compensar os impactos socioeconômicos causados.
Como nem sempre há profissionais disponíveis no mercado, sobretudo nestas pequenas cidades, a empresa se vê obrigada a investir na qualificação dos trabalhadores. Para isso, realiza o Programa de Desenvolvimento Profissional, que oferece cursos de capacitação para a população das comunidades vizinhas às unidades industriais.
A capacitação está sendo direcionada aos cursos de formação, qualificação e aperfeiçoamento para diversas áreas de interesse da mineradora. Até o momento, 352 profissionais em Minas Gerais foram capacitados e 508 no Espírito Santo. Nos próximos meses, serão abertas novas turmas na área de eletromecânica, nos dois estados.
Uma pesquisa para levantamento de informações nas comunidades e municípios próximos à unidade de Germano foi feita pela empresa, a fim de conhecer melhor as potencialidades da região. Participaram moradores de Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Santa Bárbara, Bento Rodrigues, Antônio Pereira, Brumal, Cubas e Morro D’Água Quente.
A água
Para colocar o projeto em funcionamento, a Samarco precisará de água, e seus estudos apontaram o rio Santa Bárbara, em Santa Bárbara, como a opção mais viável economicamente. O manancial abastecerá o funcionamento da unidade industrial em Mariana. Mesmo sob manifestações contrárias de algumas organizações, a empresa conseguiu os licenciamentos necessários e contratou a empresa que já constrói o aqueduto.
A adutora consiste em um sistema de captação, que ficará na comunidade de Brumal – com subestação de energia e salas elétricas – e 40 km de tubulação entre o distrito santa-barbarense e a unidade industrial de Germano. A Samarco já possui outorga, isto é, a licença que autoriza a captação e promete usar os recursos de forma racional e ecologicamente correta.
A água será transportada em tubos subterrâneos até chegar à rodovia MG-129. Margeando a estrada, a adutora passará em Catas Altas e próximo à comunidade Morro d’Água Quente até chegar ao concentrador da Samarco. Lá abastecerá os tanques que armazenam toda a água a ser utilizada nas atividades.
O rio Santa Bárbara tem uma vazão mínima de 10.300 metros cúbicos por hora. É permitido o uso de até 3.078 metros cúbicos – a Samarco irá utilizar 2.050 metros cúbicos por hora. A ONG Grupo Ambiental de Santa Bárbara foi uma das entidades que se manifestou contrária à captação, sob a justificativa de que a prefeitura liberou o processo sem consultar a população.
O secretário municipal de Meio Ambiente e Serviços Urbanos de Santa Bárbara, Flávio Marcos Almeida, garante que a contrapartida da empresa é justa. “A Samarco vem há dois anos trabalhando em parceria com o nosso município”, afirmou. Segundo Flávio, além dos investimentos sociais, muitas pessoas foram contratadas para trabalhar no projeto – e com bons salários. Há, ainda, uma condicionante no licenciamento que permite à prefeitura fechar a captação da Samarco, caso algum outro empreendimento dentro do município necessite da água.
Fornecedores
Se investimento deste porte é bom para quem se preparou para uma vaga no mercado da mineração, melhor ainda para os empresários aptos a vender seus produtos e serviços. As oportunidades são variadas. A fim de contribuir para o desenvolvimento das regiões onde atua, a Samarco prioriza a aquisição de produtos e serviços de fornecedores locais, desde que eles consigam atender aos requisitos da empresa em relação a preço e qualidade. Mas é preciso ter a competência técnica.
Neste ano, a empresa lançou o Catálogo de Fornecedores de cidades próximas às unidades de Ubu (ES) e Mariana (MG), com a intenção de alavancar novas oportunidades de negócio nos municípios capixabas e mineiros por meio da divulgação dos empresários locais junto às empresas contratadas pela companhia. Em Minas Gerais, o Catálogo contemplou Santa Bárbara, Catas Altas, Ouro Preto e Mariana.
As empresas listadas são diversas: oferecem desde produtos e serviços de infraestrutura e engenharia a cursos de idiomas e farmácias, passando por empresas de transporte, restaurantes, hotéis, gráficas, entre outros. A Samarco, junto da AngloGold Ashanti e da Vale, também patrocina a Feira Multissetorial do Médio Piracicaba, realizada em Santa Bárbara, que chegou a sua 15ª edição este ano.
Novas jazidas, novas usinas e muitos bilhões investidos. O ano da Copa no Brasil e das Olimpíadas não será importante apenas para o esporte brasileiro. Se os cronogramas dos projetos forem mantidos, o interior de Minas Gerais também se transformará a partir de 2014 e 2016. O futuro é promissor.