Quase 1 milhão de pessoas não concluíram alfabetização em Minas e 190 mil vivem sem oferta de EJA
Dados apresentados em audiência pública na Assembleia mostram queda nas matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
Minas Gerais tem hoje mais de 980 mil pessoas que não concluíram a alfabetização, e quase 190 mil delas moram em municípios sem oferta de matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os números foram apresentados nesta quinta-feira (16) em audiência pública sobre o cumprimento das metas 8 e 9 do Plano Estadual de Educação, que dizem respeito à elevação da escolaridade média da população de dezoito a vinte e nove anos e da taxa de alfabetização da população com quinze anos ou mais para 93,5%.
Os dados colocam o estado entre os mais pressionados do país nesse campo. Segundo informações apresentadas durante a reunião, Minas é o quarto estado com maior proporção de municípios sem matrículas de EJA. Ao mesmo tempo, a oferta dessa modalidade de ensino vem encolhendo. Entre 2024 e 2025, a queda de matrículas chegou a quase 20%.
O retrato mais crítico aparece em regiões historicamente marcadas por desigualdades educacionais. Municípios como Indaiabira e Fruta de Leite registram taxas de analfabetismo de 25,8% e 27,2%, respectivamente. Os territórios mais afetados se concentram no Norte de Minas, no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri. Entre indígenas e quilombolas, as taxas variam entre 14% e 16%.
A audiência foi realizada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa para monitorar metas do plano estadual ligadas à elevação da escolaridade e à erradicação do analfabetismo entre jovens e adultos. Embora representantes do governo tenham apresentado indicadores mais próximos do previsto quando o plano foi instituído, a leitura detalhada dos dados do Ministério da Educação expôs um cenário de estagnação e perda de vagas.
Durante o debate, representantes da área educacional defenderam ampliação da oferta, flexibilização do currículo e adaptação dos formatos de ensino para a realidade de quem trabalha e precisa conciliar estudo com a vida adulta. Também houve cobrança para que o poder público trate a EJA como política permanente, e não como ação residual.
A discussão deve continuar em novas reuniões de monitoramento do plano estadual nas próximas semanas.




