Quase 90% dos municípios de Minas sofreram agressão ambiental nos últimos dois anos
Mais de 88% das cidades de Minas Gerais foram afetadas por ocorrências que representaram impactos ambientais nos últimos 24 meses, indica a Pesquisa de Informações Municipais 2008, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 853 municípios do estado, 754 registraram situações que contribuíram para a degradação do meio ambiente, principalmente casos […]
Mais de 88% das cidades de Minas Gerais foram afetadas por ocorrências que representaram impactos ambientais nos últimos 24 meses, indica a Pesquisa de Informações Municipais 2008, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 853 municípios do estado, 754 registraram situações que contribuíram para a degradação do meio ambiente, principalmente casos de queimadas, assoreamento (areia, terra e detritos depositados nos leitos dos rios, prejudicando os cursos), desmatamento e poluição da água.
O levantamento foi feito por amostragem com cada gestor responsável pelas secretarias municipais de Meio Ambiente. Cada um respondeu a um questionário sobre a ocorrência de 13 indicadores: queimadas; desmatamento; assoreamento; poluição da água; escassez de água; contaminação do solo; poluição do ar; degradação de áreas legalmente protegidas; alteração que tenha prejudicado a paisagem; alteração que tenha afetado as condições de vida da população; atividade agrícola prejudicada por problemas ambientais; atividade de pecuária prejudicada por problemas ambientais; redução da quantidade, diversidade ou perda na qualidade do pescado.
A complicação é ainda maior para os moradores de 85 (9,96%) cidades do interior, nas quais a alteração ambiental verificada contribuiu para piorar as condições de vida da população. Segundo o diretor de Monitoramento e Fiscalização Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Martins, a expansão da pecuária e o cultivo da cana-de-açúcar são os motivos para o destaque negativo dos indicadores que aparecem nas primeiras posições. “A queima não é proibida, mas é feito o controle para reduzir os danos, enquanto a fiscalização do desmate clandestino é constante. Quanto ao assoreamento, a destruição de áreas verdes no passado contribui para a maior incidência”, afirma.
Em Minas, dois municípios se destacam negativamente e integram a lista de apenas nove cidades no país que informaram a ocorrência simultânea de todos os tipos de impacto ambiental: Uberaba, no Triângulo Mineiro, e Conceição de Ipanema, no Vale do Rio Doce. Na capital, sete indicadores foram registrados nos últimos dois anos. Em média, foram informados 4,4 problemas ambientais por município. Segundo o pesquisador do Núcleo de Meio Ambiente do IBGE Paulo Gonzaga Mibielli de Carvalho, a radiografia dos problemas municipais é importante subsídio para a construção de diagnóstico mais amplo e para a elaboração de políticas públicas. “A partir do perfil das cidades, revela-se que nas metrópoles fatores como a poluição do ar são mais visíveis. Enquanto isso, as cidades mais afastadas dos grandes centros estão propícias a problemas rurais ou até mesmo a não ter ocorrências constantes. Isso confirma a percepção segundo a qual quem busca qualidade de vida deve ir para o interior’”, afirma.