Quem é Cilia Flores, a “primeira combatente” do chavismo e capturada junto com Maduro após ofensiva dos EUA
Advogada e ex-presidente da Assembleia Nacional, Cilia Flores construiu trajetória de forte influência política e se tornou uma das figuras centrais do regime venezuelano
A captura de Nicolás Maduro durante a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, neste sábado (3), também colocou sob os holofotes uma personagem-chave do chavismo: Cilia Flores. Advogada de formação e uma das mulheres mais poderosas da política venezuelana nas últimas décadas, ela foi detida junto com o marido e integra o núcleo mais influente do regime que governa o país desde a era Hugo Chávez.
Nascida em 1956, em Caracas, Cilia Flores iniciou sua trajetória política ainda nos anos 1990, quando passou a atuar como advogada ligada ao então movimento bolivariano. À época, integrou a equipe jurídica que deu suporte a Hugo Chávez após a tentativa fracassada de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, episódio que impulsionou a ascensão do chavismo.
Com a chegada de Chávez ao poder, Cilia consolidou espaço na estrutura do Estado. Foi eleita deputada pela primeira vez em 2000 e reeleita em 2005. No ano seguinte, alcançou um marco histórico ao se tornar a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela, cargo que ocupou até 2011 e que a projetou como uma das principais lideranças políticas do país.
Em 2012, assumiu a Procuradoria-Geral da República, ampliando ainda mais sua influência institucional. No ano seguinte, oficializou o casamento com Nicolás Maduro, pouco tempo depois de ele assumir a Presidência da Venezuela após a morte de Chávez. Dentro do chavismo, Cilia passou a ser chamada de “primeira combatente”, título que reflete seu papel ativo nas decisões políticas e estratégicas do governo.
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Ao longo dos anos, a primeira-dama se tornou alvo de críticas e sanções internacionais. Estados Unidos e Canadá impuseram restrições a Cilia Flores sob a alegação de que ela fazia parte do círculo responsável por sustentar o regime venezuelano. Em 2015, o nome da advogada voltou ao noticiário internacional após dois de seus sobrinhos serem presos no Haiti pela agência antidrogas dos EUA (DEA) e condenados por tráfico de cocaína. Eles acabaram libertados em 2022, em uma troca de prisioneiros entre Washington e Caracas.
Após a ofensiva militar norte-americana, ainda não há confirmação oficial sobre o paradeiro de Cilia Flores e de Nicolás Maduro. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o líder venezuelano será levado ao país para responder por acusações relacionadas a narcoterrorismo e tráfico de drogas. Integrantes do governo americano também indicaram que novas informações sobre o caso devem ser divulgadas nas próximas horas.
Enquanto isso, a Venezuela decretou estado de emergência, após registrar explosões em Caracas e em outros estados, como Miranda, Aragua e La Guaira. As Forças Armadas venezuelanas foram mobilizadas, e o episódio marca um dos momentos mais críticos da crise política e diplomática do país nos últimos anos.




