R$750 milhões do ItabiraPrev estão aplicados em bancos sem ligação com o Master, garante presidente
Presidente do instituto afirmou que recursos estão distribuídos entre bancos como Caixa, BB, Santander, Itaú e Bradesco; prestação de contas foi apresentada na Câmara

O Instituto de Previdência de Itabira (Itabiraprev) não possui recursos aplicados no Banco Master nem em instituições financeiras suspeitas, segundo afirmou o presidente do instituto, Paulo Alexandre da Silva, durante prestação de contas do primeiro semestre de 2026 na Câmara Municipal, nesta terça-feira (22).
A situação dos investimentos foi um dos pontos abordados durante a reunião das Comissões Temáticas Permanentes. De acordo com Paulo, o patrimônio do Itabiraprev estava em aproximadamente R$750 milhões em junho e os recursos são distribuídos entre instituições como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, que detém cerca de 80% do valor, além de Santander, Itaú e Bradesco. O instituto também mantém um volume menor de recursos aplicado por meio da XP.
Durante a apresentação, o presidente afirmou que não há aplicações em instituições que, na avaliação do instituto, apresentem maior risco.
“Não temos um centavo aplicado em banco de segunda linha”, afirmou.
A declaração de Paulo surgiu após um questionamento feito antes da prestação de contas, em meio às discussões sobre o escândalo da liquidação extrajudicial do Banco Master, cuja crise gerou fortes repercussões na gestão de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de diversos estados e municípios.
Segundo Paulo, as decisões sobre a aplicação dos recursos não são tomadas individualmente. Antes de uma operação, as propostas passam pelo Comitê de Investimentos, pela diretoria executiva e pelos conselhos do instituto. O processo também conta com acompanhamento de uma empresa especializada em consultoria financeira, onde de acordo com Paulo, o modelo busca evitar que uma decisão de investimento seja tomada de forma isolada.
O presidente informou que a instituição possuía, em junho, patrimônio líquido de aproximadamente R$ 750 milhões. O montante é utilizado para garantir o pagamento de aposentadorias e pensões atuais e formar reservas para os benefícios futuros dos servidores municipais.
Atualmente, o instituto paga 1.021 benefícios por mês. Desse total, estão incluídas 826 aposentadorias e 90 pensões concedidas pelo próprio Itabiraprev desde sua criação, além de benefícios herdados do antigo Fundo de Aposentadoria e Pensão (FUNCAP).
O Itabiraprev foi criado pela Lei Municipal nº 4.456, de 30 de agosto de 2011, e iniciou efetivamente suas atividades em 1º de janeiro de 2012. Na implantação, recebeu R$ 23,5 milhões provenientes do FUNCAP, além de R$ 500 mil destinados às despesas administrativas.
Arrecadação supera despesas com benefícios
Os números apresentados por Paulo Alexandre na Câmara também mostraram um resultado positivo entre as contribuições previdenciárias e o pagamento dos benefícios. Em junho, segundo os dados apresentados pelo presidente, o Itabiraprev arrecadou aproximadamente R$ 9,3 milhões em contribuições, enquanto as despesas com aposentadorias e pensões ficaram em torno de R$ 8,82 milhões.
Além das contribuições dos servidores e do município, o instituto recebe recursos por meio da compensação previdenciária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo Paulo, o Itabiraprev já recebeu cerca de R$ 60 milhões em compensações referentes a contribuições feitas por servidores antes da criação do instituto. Atualmente, o mecanismo representa uma entrada de aproximadamente R$ 800 mil por mês.
Os recursos acumulados, somados à rentabilidade das aplicações financeiras, ajudam a formar as reservas utilizadas para garantir o pagamento dos benefícios no longo prazo.
Paulo explicou que a política de investimentos do Itabiraprev segue as normas federais aplicáveis aos regimes próprios de previdência e os limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional. Com os juros em patamares elevados, o instituto tem priorizado aplicações vinculadas ao CDI, de acordo com o presidente, como estratégia para buscar o cumprimento da meta de rentabilidade estabelecida para o patrimônio.
A definição das aplicações, segundo ele, considera análises técnicas e passa por diferentes instâncias dentro do instituto, além da consultoria especializada contratada para acompanhar o mercado financeiro.
Falta de concursos preocupa instituto
Outro assunto levantado pelos vereadores foi o impacto da falta de concursos públicos sobre a arrecadação futura do Itabiraprev. A preocupação está relacionada à substituição de servidores efetivos aposentados por trabalhadores contratados temporariamente. Esses profissionais são vinculados ao INSS e, portanto, não ampliam a base de contribuintes do regime próprio municipal da mesma forma que os servidores efetivos.
Paulo afirmou que os contratados temporários contribuem para o INSS, mas reconheceu que a realização de concursos públicos é importante para a manutenção e ampliação da base de segurados do Itabiraprev.
Segundo ele, a Prefeitura está mapeando as áreas que precisam de novos servidores e existe expectativa de realização de concurso público no próximo ano. O presidente, porém, disse que ainda não é possível confirmar uma data. A educação, especialmente a área de professores, foi citada como um dos setores que demandam reposição de servidores.
Nova sede deve ficar pronta em 2027
Durante a prestação de contas, Paulo também atualizou os vereadores sobre a construção da nova sede do Itabiraprev. Segundo o presidente, a obra está em andamento e a previsão é que seja concluída entre março e maio de 2027. A nova estrutura deverá ampliar o espaço destinado ao atendimento de servidores e aposentados e melhorar as condições de trabalho da equipe.
Paulo também classificou o quadro atual de funcionários como enxuto. A eventual realização de concurso, segundo ele, poderá ampliar a capacidade de atendimento do instituto e permitir a implementação de ações de educação previdenciária destinadas aos servidores municipais.
Apesar dos desafios relacionados à manutenção da base de contribuintes, os estudos atuariais apresentados pelo presidente apontam, segundo ele, para um cenário de equilíbrio nas próximas décadas. Paulo afirmou que as projeções indicam que, em 2046, o Itabiraprev poderá não precisar mais da alíquota complementar atualmente utilizada.
A perspectiva está relacionada ao patrimônio acumulado desde a criação do instituto, aos resultados dos investimentos e ao comportamento projetado das receitas e despesas previdenciárias.
O presidente, no entanto, ressaltou que a manutenção desse equilíbrio depende da preservação da base de contribuintes. Com o crescimento do número de aposentados e pensionistas ao longo dos anos, a relação entre arrecadação e pagamento de benefícios continuará sendo um dos principais desafios para a previdência municipal.