RAMPA: amigos transformam reencontro de ex-alunos da FIDE em comunidade ativa após 35 anos de história compartilhada
Rede criada por ex-estudantes itabiranos nascidos em 1974 e 1975 surgiu como grupo de WhatsApp e hoje reúne 85 integrantes, promovendo memória afetiva, parcerias e encontros presenciais

O que começou como um pequeno grupo de WhatsApp entre amigos de infância se consolidou, ao longo de 2025, como uma experiência singular de reconexão, memória coletiva e convivência ativa entre ex-alunos da Fundação Itabirana Difusora do Ensino (FIDE). Batizada de RAMPA – Rede de Amigos, Memória e Parceria, a iniciativa reúne atualmente 85 integrantes, todos nascidos em 1974 e 1975, que compartilharam a vivência escolar em Itabira e hoje mantêm uma interação intensa e cotidiana.
Com centenas de mensagens trocadas diariamente, o grupo funciona como um espaço de resgate de histórias da infância e da adolescência, lembranças do ambiente escolar, referências musicais, conversas informais, trocas profissionais e relatos pessoais. A dinâmica ultrapassa a simples nostalgia e constrói um ambiente colaborativo, onde antigos colegas se redescobrem como amigos, décadas após o período escolar.
O nome RAMPA carrega um forte simbolismo para os participantes. Além de sigla, faz referência direta à rampa posterior da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), local emblemático da juventude de muitos integrantes. Foi ali que, ainda durante a quinta e sexta séries, ocorreram encontros marcantes da adolescência, entre conversas despretensiosas, descobertas afetivas e experiências que se tornaram parte da memória coletiva do grupo. Ao adotar esse espaço como identidade, a rede reafirma sua ligação com a cidade, com os ritos de passagem da juventude e com o cenário onde essas histórias começaram.
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A origem do RAMPA remonta a apenas cinco integrantes, amigos inseparáveis desde a infância, que estudaram juntos na mesma sala por vários anos. A expansão do grupo aconteceu após o aniversário de um dos membros fundadores, evento que funcionou como ponto de virada. A partir daí, todos os participantes passaram a atuar como administradores, resgatando contatos antigos e convidando ex-colegas de escola. O crescimento foi orgânico, contínuo e impulsionado pelo interesse coletivo em reconstruir vínculos.
Com o aumento do número de participantes, o grupo desenvolveu uma cultura própria. Um dos elementos centrais dessa identidade são os chamados “10 Mandamentos do Rampeiro”, um conjunto bem-humorado de regras que orienta a convivência, incentiva a leveza nas interações, a responsabilidade coletiva e a valorização de encontros presenciais. Entre as diretrizes está a recomendação de evitar temas considerados incompatíveis com o espírito do grupo, como futebol, política, religião e debates excessivamente densos, preservando um ambiente afetivo e harmonioso.
A interação virtual rapidamente extrapolou o espaço digital. O RAMPA já promoveu um grande encontro presencial em Belo Horizonte, que reuniu cerca de 40 participantes, além de diversas confraternizações menores ao longo do período. O último reencontro aconteceu no dia 27 de dezembro, em Itabira, reforçando o vínculo com a cidade que marcou a trajetória comum dos integrantes.
Entre as iniciativas mais simbólicas da rede está a produção colaborativa do livro “101 lições que aprendi na FIDE”. A obra reúne textos enviados por quase todos os participantes, em um exercício coletivo de memória e reflexão sobre a experiência escolar. O livro conta ainda com um prefácio póstumo do Irmão Cristino, construído de forma criativa, unindo homenagem, tecnologia e afetividade.
A trajetória do RAMPA evidencia como vínculos formados no ambiente escolar podem ser ressignificados ao longo do tempo. Mais do que um espaço de lembranças, a rede se consolida como um ambiente de novas amizades, parcerias profissionais e fortalecimento do senso de pertencimento. Após 35 anos de histórias compartilhadas, antigos colegas — próximos ou não no passado — constroem, no presente, uma relação marcada por afeto, colaboração e o desejo comum de manter viva essa comunidade ao longo do tempo.
Confira os dez mandamentos do “rampeiro”:
- Amarás o grupo RAMPA sobre todos os outros grupos silenciados. E jamais o arquivarás sem justa causa;
- Não falarás de futebol, política ou religião, nem mesmo “só pra constar”, nem “rapidinho”, nem “é só uma provocação”;
- Fugirás de temas densos, polêmicos ou deprimentes, pois o Rampeiro vem à RAMPA para rir, não para sair pior do que entrou;
- Todos são administradores, portanto: antes de postar bobagem, lembra-te de que a bobagem será responsabilidade coletiva;
- O duplo sentido é permitido, incentivado e celebrado, desde que faça rir mais do que explicar;
- Brigas, tretas e climões deverão ser resolvidos com ironia fina, meme bem escolhido ou cerveja presencial;
- Relações profissionais entre Rampeiros são estimuladas, desde que ninguém mande áudio de 7 minutos nem peça “só um favorzinho”;
- Encontros, festas e celebrações são dever de todos: quem não organiza, ajuda; quem não ajuda, paga a próxima;
- Áudios longos só serão tolerados se forem realmente bons — ou realmente bêbados;
- Lembrarás sempre: a RAMPA é lugar de amizade antiga, zoeira madura e liberdade responsável. Se for pra censurar, melhor nem subir a rampa.




