Uma informação preocupante foi divulgada pela Prefeitura de Itabira nessa quinta-feira, 7 de fevereiro, por meio da assessoria de Comunicacao. Segundo a nota, a administração de Damon de Sena recebeu o aterro sanitário sem condições técnicas nem estruturais para seu pleno e correto funcionamento.
“Foi esta a conclusão que chegou uma equipe de profissionais das secretarias de Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Obras, além da Itaurb”, afirma o texto.
Nas condições em que se encontra, segundo a nota, o local corre o risco de ter que ser desativado e Itabira ficar sem lugar para depositar os resíduos sólidos. O aterro sanitário foi inaugurado no dia 12 de novembro.
Veja o que diz a Prefeitura:
Para tentar evitar a perda total do investimento, a Vale acionaria a Essencis Soluções Ambientais, empresa que executou as obras do aterro sanitário, para reparos estruturais no local. A obra está no período de garantia.
Na semana passada, Damon comunicou ao gerente-geral da Vale, Julio Yamacita, os problemas encontrados no aterro e informou que irá convocar a Essencis para fazer os reparos necessários. A obra foi custeada pela mineradora.
Conforme explicou Damon, os reflexos dos problemas da falta de estrutura na implantação do aterro começaram a aparecer no primeiro dia útil de seu governo. No dia 4 de janeiro ele recebeu um relatório de servidores da Secretaria de Desenvolvimento Urbano atestando que já naquela data o aterro sanitário não tinha condições de receber nenhum resíduo sólido. Entre os problemas apontados, estão erosões e sistema de drenagem danificado. Até mesmo o plantio de gramado para contenção de uma área não foi executado. Levantamento preliminar dá conta, inclusive, de que as sementes reservadas para este fim estavam vencidas, sem condição de uso.
Mas, conforme lembrou Damon, o mais grave foi que nenhum servidor de carreira foi devidamente treinado para manter o aterro sanitário em funcionamento e até mesmo a empresa contratada para executar os trabalhos no local – que devem ser diários – tem experiência para o serviço.
“Um documento que formaliza a implantação do aterro, assinado pela Fundação Vale, que pagou pela obra, recomenda o treinamento de servidores para a operacionalização do aterro e a contratação de uma empresa especializada, tanto para o despejo dos resíduos, quanto da manutenção do local. Isso não aconteceu”, explicou Damon.
Segundo o levantamento que as secretarias envolvidas na operacionalização do aterro apresentou ao prefeito, não houve treinamento de trabalhadores para o manejo do aterro – pelo menos, não de servidores efetivos – e a engenheira responsável pelo aterro era uma profissional que teve seu contrato com a Prefeitura desfeito em novembro, ou seja, antes da implantação do aterro sanitário.
“Ele já começou a funcionar errado. Não tinha um engenheiro responsável, especializado neste assunto; não tinha trabalhadores devidamente treinados para o serviço e a empresa contratada pela Prefeitura para cuidar do adequado funcionamento do local não tem capacidade técnica comprovada para este tipo de serviço. Tudo isso começou a deteriorar o aterro”, salientou Damon.
O engenheiro especialista em infraestrutura da Vale, Alessandro Michelli, que acompanhou Julio Yamacita em inspeção no aterro, confirmou que os problemas do local são de operação. A falta de pessoal capacitado é um dos principais problemas. Ele também confirmou que existem canaletas com erro de construção. E salientou: “A manutenção no local deve ser diária e feita por pessoal devidamente capacitado para isso”.
De acordo com engenheiro, o problema ainda tem solução porque foi detectado no início, mas exige uma intervenção imediata.
“O grave problema é a falta de responsabilidade na administração de bens públicos. No caso do aterro, existem recomendações técnicas rigorosas que determina um acompanhamento diário minucioso de profissionais capacitados para isso. Também existe a recomendação de que o local seja administrado por uma empresa comprovadamente especializada naquele tipo de serviço”, explicou Damon.