Rejeição a Messias revolta Lula e desespera Planalto, que culpa Alcolumbre

Lula e membros da cúpula governista se mostram perplexos com o posicionamento de Alcolumbre

Rejeição a Messias revolta Lula e desespera Planalto, que culpa Alcolumbre
Depois de Sabatina de 9 horas , Messias foi derrotado no plenário- Foto: Ton Molina/ Agência Senado

Planalto culpa Alcolumbre (União-AP) pela não aprovação do nome de Jorge Messias da AGU (Advocacia-Geral da União) ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (29).

A rejeição a Messias caiu como uma bomba no Palácio do Planalto e revoltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Após oito horas de sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o advogado-geral da União conseguiu apenas 34 dos 41 votos necessários no plenário do Senado, embora governistas apostassem em uma aprovação mesmo que apertada.

Segundo cálculos da base do governo, Messias teria no mínimo 41 votos e no máximo 45, o que garantiria sua aprovação.

Ainda quando estava sendo sabatinado, senadores governistas foram informados da movimentação de Alcolumbre contra a aprovação, na terça-feira (28) e que a base não chegaria aos 41 votos.

O presidente do Senado passou a manhã na residência oficial, articulando dificuldades para o indicado pelo presidente Lula e, depois, num claro gesto de desaprovação a Messias, se recusou a recebê-lo no espaço entre a votação na CCJ e o Plenário da Casa, rito que cumpriu com Flávio Dino e Cristiano Zanin. Alcolumbre também não recebeu o ministro André Mendonça, que torcia por Messias.

Lula e membros da cúpula governista se mostram perplexos com o posicionamento de Alcolumbre, já que até o ano passado, o petista vinha mantendo boa relação.

Governistas sentiram a indisposição do presidente do Senado na celeridade às votações de todas as indicações feitas pela presidência, ao todo, nove nomes, além de Messias, e chegou à pauta em cerca de uma hora.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) foi ao Palácio do Alvorada durante a tarde, no decorrer da sabatina, para conversar com Lula e transmitir sua desconfiança em um resultado positivo. Após a rejeição ao nome do Messias, Wagner voltou à noite à residência oficial.

A derrota na indicação de Messias ao STF tem um significado maior, além do rompimento com Alcolumbre, em ano de eleições.

A derrota é vista por parlamentares da base e do centro como um enfraquecimento do governo a seis meses do pleito principal, algo danoso para a construção das poucas alianças que ainda restam.

O senador Flávio Bolsonaro, participante da CCJ e pré-candidato ao Planalto, fez questionamentos a Messias e usou seu tempo para atacar Lula, comemorando, depois, efusivamente a rejeição do advogado-geral da União.

É a primeira rejeição a uma indicação presidencial em mais de um século. O último presidente a ter um nome barrado foi Floriano Peixoto (1891-1894).

*Fonte: UOL