Relatório do Banco Mundial destaca desempenho da Argentina na América Latina

As economias do Brasil e México sofrem com a perda de dinamismo em meio “às condições financeiras internas restritivas”

Relatório do Banco Mundial destaca desempenho da Argentina na América Latina
Relatório do Banco Mundial destaca a política econômica de Javier Milei- Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil

Relatório panorâmico regional do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, divulgado nesta quarta-feira (8), avalia que a economia Argentina se destaca e, paralelamente, as economias do Brasil e do México sofrem com a perda de dinamismo em meio “às condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza frente á política comercial”.

O organismo internacional avalia que as perspectivas de crescimento da América Latina e Caribe se encontram “limitadas”, mesmo com as condições financeiras globais ligeiramente mais favoráveis e apesar da sustentação dos preços das commodities (produtos básicos com cotação internacional, como petróleo e alimentos, entre outros).

O documento também ressalta que a falta de melhora em relação a 2025 “oculta perspectivas mais fracas para muitos países e implica ganhos de renda per capita praticamente estagnados”, embora o consumo siga na liderança, mas com impulso modesto, à medida que a renda real se recupera gradualmente e os custos reais de crédito continuam elevados”.

“O principal fator limitante é o investimento, que permanece contido, enquanto as empresas aguardam sinais mais claros sobre o ambiente externo e os arcabouços de políticas internas. A Argentina emergiu como a principal exceção positiva, à medida que a estabilização e as reformas melhoraram as expectativas e as condições financeiras”.

No relatório, o Banco Mundial projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% para este ano, contra 4,4% em 2025 e tombo de 1,3% em 2024.

O Brasil tem projeção de crescimento de 2,2% para 2026, contra 2,8% no ano passado e 3,4% em 2024.

O documento ressalta a agenda de reformas econômicas implementadas por Milei para conter a inflação estimulando o crescimento do país.

“Um ajuste decisivo liderado pela política fiscal – passando de um grande déficit em 2023 para superávits primários e globais, isso por meio da racionalização dos gastos, do combate aos desperdícios e às ineficiências administrativas, além do redirecionamento dos subsídios energéticos baseados em preços, deixando de contemplar as famílias de maior renda – tem contribuído para ancorar as expectativas de inflação e reduzir o risco soberano (taxa de juros)”.

O Banco Mundial também menciona medidas adotadas, como a reforma tributária, o Regime de Incentivo às Grandes Investimentos (RIGI), que visa grandes projetos nos setores de energia, com redução de tributos e estímulo às exportações, além da reforma do mercado de trabalho, bem como “os esforços contínuos para melhorar o ambiente de negócios e o marco regulatório, estimulando investimentos”.

Prossegue o documento: “Outrossim, têm surgido tem surgido âncoras externas complementares, tendo em vista que no dia 5 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e a Argentina lançaram uma estrutura estratégica para fortalecer as cadeias de suprimentos de minerais críticos vinculando explicitamente instrumentos de financiamento e demanda dos EUA ao RIGI da Argentina”.

Mas adverte que, riscos negativos permanecem significativos, especialmente diante das grandes necessidades de financiamento externo da Argentina em um contexto de reservas internacionais líquidas negativas e ainda limitado acesso aos mercados internacionais de dívida”.

O Banco Mundial avalia que a queda dos juros no início do ano e os preços de commodities vantajosos continuam insuficientes para superar o entrave causado por tensões comerciais persistentes, incertezas em matéria de políticas, espaço fiscal limitado e demanda privada fraca no Brasil.

“Nesse contexto, espera-se que o Brasil desacelere ainda mais em relação a 2025, à medida que as condições financeiras restritivas – com as taxas de juros permanecendo elevadas até o início de 2026 – e o ambiente externo fraco pressionam o crédito, o investimento e o comércio. Consequentemente, uma melhora mais perceptível deverá ocorrer apenas se as condições monetárias se normalizarem e as pressões globais diminuírem”.

Analistas avaliam que o aumento de despesas no governo Lula contribuiu para pressionar a inflação no Brasil, obrigando o Banco Central a elevar a taxa básica de juros em um primeiro momento, com o objetivo de conter a expansão econômica e a inflação.

O governo brasileiro tem estudado, em ano eleitoral, um novo programa para reduzir o nível de endividamento da população, com a estratégia de unificar as dívidas do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma só, que poderia ser refinanciada com descontos que iriam de 30% a 80% nos juros, com possibilidade de os bancos chegarem a um desconto de até 90%.

Dentro desse mesmo projeto, o governo analisa autorizar o uso de recursos do FGTS para pagamento de dívidas, mas com limites para evitar a sangria dos recursos, medidas admitidas pelo novo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

*Fonte: G1