Renan Santos (Missão) é entrevistado na Globo e promete construir novos presídios com capacidade para 400 mil presos

Renan respondeu sobre declarações anteriores em que disse que, se eleito, descumpriria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF)

Renan Santos (Missão) é entrevistado na Globo e promete construir  novos presídios com capacidade para 400 mil presos
O candidato do Missão foi entrevistado por César Tralli e Renata Vasconcelos- Foto: Reprodução/TV Gobo/ Via Terra

Renan Santos (Missão), candidato à presidência, foi o entrevistado na TV Globo, na noite desta quarta-feira (26).

O encontro foi conduzido pelos âncoras César Tralli e Renata Vasconcellos.

Renan respondeu sobre declarações anteriores em que disse que, se eleito, descumpriria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerasse ilegais, embora não pretenda desrespeitar todas as determinações da Corte Suprema.

“Qualquer cidadão, diante de uma decisão ilegal, pode não cumprir. Na verdade, ele tem o dever de não cumprir. Decisão ilegal não se cumpre. Se vier uma decisão ilegal que faça as pessoas correrem um risco muito grande, você não pode cumprir. Uma decisão ilegal pode acabar com a vida de uma pessoa”.

Renan também afirmou a pretensão de fazer uma nova reforma da Previdência, uma medida necessária para evitar o desequilíbrio das contas públicas, sugerindo cortes de gastos e investimentos em infraestrutura como parte de sua política econômica, em sua eventual eleição.

“Eu não sou estelionatário eleitoral como outros candidatos que vão vir aqui e falar que não precisa. Vamos precisar fazer outra reforma da Previdência. Vai quebrar em três anos, você não tem aposentadoria, tá? Vou deixar claro porque eu não sou populista fiscal”.

Questionado sobre a promessa de corte de R$ 1 trilhão em gastos públicos em caso de eleito, o candidato disse que as medidas teriam como objetivo de estabilizar a trajetória da dívida, o que seria feito com corte de gastos e crescimento do PIB, além de defender a desvinculação dos pisos de gastos com a saúde e educação.

“Hoje esses gastos estão irracionais e estão quebrando pequenos municípios. Tem municípios do interior do Rio Grande do Sul em que a população envelheceu, não está nascendo gente. Então, eles precisam de mais gastos com saúde e menos com educação”.

Em declarações anteriores, Renan afirmou que o Brasil deveria ter uma bomba atômica e desenvolver um armamento nuclear.

“Se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, que se presta a sentar na mesa com Estados Unidos, Índia, Rússia e China, ele vai precisar ter soberania, a soberania sobre seu próprio território, soberania militar, e vai ter que discutir ter bombas atômicas”.

Apesar do posicionamento favorável, Renan admite que o Brasil não tem condições de desenvolver armas militares nos próximos dez anos. Acrescentando, no entanto, que não é preciso estudo científico ou técnico para defender que o Brasil desenvolva uma bomba atômica.

Renan defendeu que o Brasil saia do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, a exemplo da Coreia do Norte, único país a tomar essa medida.

“A Coreia do Norte por mais que seja um regime que eu considero opressivo e que eu não respeite, pelo menos é respeitado internacionalmente. É uma forma de defender sua própria soberania”.

“Se a gente quiser ser o eterno Zé Carioca no mundo {…}, aceitamos nossa posição submissa. Agora, se a gente quiser ser uma nação séria e respeitada nos próximos 30 anos, nós precisamos ter armas nucleares”.

Sobre o crime organizado, Renan afirmou:

“Se você mora numa favela, o crime organizado manda em você, pode te desalojar de tua casa, pode, eventualmente se interessar de maneira sexual por tua filha e você não tem como se defender. A vida num país que está em guerra é uma vida triste. Hoje quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime”.

O candidato propõe mudar a Lei de Execuções Penais, tratando o integrante de uma facção como um “ente anômalo”, e que não adianta fazer a prisão de um traficante que vai ser solto logo depois, e defendeu que a legislação em um eventual governo dele será dura, e que vai construir dez novos presídios federais com capacidade para até 40 mil presos em cada unidade, e que se eleito, vai adotar medidas semelhantes às adotadas em El Salvador, pelo presidente Bukele.

Renan afastou-se explicitamente de declarações de um assessor de sua campanha que havia sugerido restringir o direito ao voto.

*Fonte: G1