Repercute o encontro secreto de Lula e Alcolumbre na casa de Moraes

Questionado pela imprensa sobre a pauta da reunião, Alcolumbre respondeu “Segredo”

Repercute o encontro secreto  de Lula e Alcolumbre na casa de Moraes
O presidente do Senado esteve com Lula na casa do ministro Moraes- Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O jantar secreto na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que reaproximou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com mediação de Moraes e do ministro Cristiano Zanin, gerou forte repercussão política. O ato foi duramente criticado por opositores e analistas como um arranjo de cúpula frente às investigações e crises institucionais.

A reunião ocorreu na residência de Moraes e durou cerca de três horas.

Questionado pela imprensa sobre a pauta da reunião, Alcolumbre respondeu “Segredo”.

O objetivo oficial divulgado foi o de “quebrar o gelo” e superar atritos gerados após o travamento de pautas e rejeições no Senado.

Em seu habitual comentário na CNN Brasil, o jornalista William Waack avaliou que a união ocorreu “na hora do aperto”.

Segundo Waack, pro trás das pautas formais do Senado, há um problema político urgente em comum: as investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master, fraudes do INSS e o filho de Lula.

O analista apontou que eventuais vazamentos ou desdobramentos dessas apurações podem prejudicar a campanha de Lula, a reeleição de Alcolumbre no Senado e a sustentação de Moraes no STF, forçando uma reaproximação pragmática entre os Três Poderes.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) criticou severamente o episódio, classificando a articulação como um ato não republicano.

Amin chamou o ato de “cambalacho político”.

O parlamentar questionou o papel de ministros do Supremo, citando explicitamente Zanin (ex- advogado de Lula) e Alexandre de Moraes, agindo como “cupidos” para reaproximar o chefe do Executivo e o chefe do Legislativo a menos de 60 dias das eleições.

Para o senador catarinense, a interferência direta da Suprema Corte na acomodação política fere os limites institucionais e a independência entre os Poderes.

Críticos apontam que a escolha da residência de um ministro do STF para um encontro político de cúpula entre o Executivo e o Legislativo fere o princípio da impessoalidade e da separação de Poderes, já que o Judiciário não deve atuar como balcão de negociações políticas.

O sigilo em torno dos temas tratados e mantido fora das agendas oficiais gerou desconfiança no Congresso e na oposição sobre acordos de bastidor.

*Fonte: G1/Folha de São Paulo/PlatôBR