Represa do Peti é esvaziada para reter rejeitos de eventual rompimento da barragem em Barão de Cocais

O plano de contenção dos rejeitos em um eventual rompimento da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, passa pela represa do Peti, em São Gonçalo do Rio Abaixo. Desde que a estrutura da Vale foi elevada ao nível 3 de risco, no fim de março, o volume de água da pequena central hidroelétrica (PCH) […]

Represa do Peti é esvaziada para reter rejeitos de eventual rompimento da barragem em Barão de Cocais
Parte da lagoa do Peti foi completamente esvaziada – Foto: Cris Fonseca|Represa do Peti agora – Foto: Cris Fonseca|Represa do Peti antes – Foto: Cris Fonseca||Cemig diz que produção de energia em Peti permanece a mesma – Foto: Divulgação

O plano de contenção dos rejeitos em um eventual rompimento da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, passa pela represa do Peti, em São Gonçalo do Rio Abaixo. Desde que a estrutura da Vale foi elevada ao nível 3 de risco, no fim de março, o volume de água da pequena central hidroelétrica (PCH) controlada pela Cemig foi reduzido para próximo da metade.

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O plano foi traçado entre Vale e Cemig. A Defesa Civil de São Gonçalo do Rio Abaixo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também foram avisados do que seria feito em Peti. A informação também já foi repassada ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) de João Monlevade, cidade que teria 80% de seu abastecimento prejudicado em caso de a lama atingir o rio Santa Bárbara.

“Foi nos passado que a represa seria esvaziada pela metade e que esse espaço seria suficiente para reter em até três vezes o volume de rejeito da barragem de Barão de Cocais”, comenta Sebastião Romualdo Pereira, coordenador da Defesa Civil e do DAE de São Gonçalo do Rio Abaixo. Segundo ele, a projeção feita é de que cada litro de água do Peti seja equivalente a dois quilos e meio de rejeitos da Sul Superior.

Fotos produzidas pela empresária Cristina Resende Fonseca Silva mostram o antes e o depois da represa registrados de um mesmo ponto. Moradora de Santa Bárbara, ela postou nas redes sociais as imagens que geraram lamentos de vários amigos.

PCH Peti

Localizada no rio Santa Bárbara, a PCH Peti foi instalada em 1946, a princípio por uma mineradora inglesa. Passou a ser operada pela Cemig em 1973. Tem comprimento total de 89 metros e altura de 46 metros. O reservatório possui volume máximo de 36,3 milhões de metros cúbicos e área alagada de 6,7 km², o suficiente para gerar 9,4 MWh.

Além de produzir energia, a represa é usada para práticas esportivas, como jet-skis e pesca, além de preservar espécies de peixes. A lagoa está inserida em importante unidade ambiental, também mantida pela Cemig. São 606 hectares de Mata Atlântica e Cerrado, caracterizados como ictiofauna, onde se apresenta, predominantemente, indivíduos de pequeno e médio porte.

Lagoa do Peti concentra importante unidade ambiental entre São Gonçalo e Santa Bárbara – Foto: Divulgação

Geração de energia

Procurada por DeFato Online, a Assessoria de Comunicação da Cemig afirmou que a produção de energia em Peti se mantém nos mesmos patamares, sem qualquer alteração.

Já a Aneel respondeu que fiscalizou a represa no dia 28 de março e confirmou que houve redução no nível de água “para suportar uma eventual ruptura da barragem de Barão de Cocais, de modo a conter os rejeitos”. De acordo com a agência, o chamado “deplecionamento” não compromete a geração de energia por parte da usina.

“Ainda que a geração fosse interrompida, a região da usina seria suprida pelo Sistema Interligado Nacional, ou seja, não existe risco de desabastecimento de energia”, afirmou a agência a DeFato Online.

Cemig diz que produção de energia em Peti permanece a mesma – Foto: Divulgação