Resgate da tradição
Rosarinha, presidente a Aefao, tem boas expectativas para o futuro da associação
Matéria publicada na edição 257 da Revista DeFato
Cada cidade tem seus costumes, sua história, sua vocação. Peculiaridades que formam a cultura de uma sociedade e marcam cada um de seus moradores. Conceição do Mato Dentro não é diferente. A agricultura, produção leiteira e o turismo, principalmente ecológico, são hoje os grandes pilares da cidade que encaminha a mineração como ponto forte de sua economia. E é para dar ainda mais valor a aspectos culturais e sociais da população que a Anglo American, por meio de um aporte, investiu R$ 100 mil no Projeto Mulheres Tapeceiras, da Associação Escolar Fazenda de Artes e Ofícios de Conceição do Mato Dentro (Aefao).
A iniciativa é fruto de convênio entre Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, a Associação Comercial e Empresarial (Acicomd), Anglo American e Aefao. O investimento realizado visa promover a renovação do programa, além de gerar melhorias ao projeto, aumentando a geração de renda e promovendo inclusão social.
O projeto Mulheres Tapeceiras existe há 34 anos no município e tem como base a venda dos produtos feitos pelas artesãs e a divulgação da tradicional técnica portuguesa de tapete bordado com ponto arraiolo. De acordo com Maria do Rosário Silva Campos (Rosarinha), presidente da Aefao, há oito anos a associação passa por grandes dificuldades tanto na produção quanto na venda e divulgação dos produtos.
Desta forma, a Anglo American será responsável pela aquisição de ma térias-primas, elaboração de peças de comunicação do projeto, além da oferta de capacitações técnicas em gestão de negócios e de confecção. Ao todo, nesta primeira fase, serão 50 mulheres da comunidade benefi ciadas por meio do convênio. Os cursos de tapeçaria serão oferecidos gratuitamente, com duração de cerca de três meses, e as coordenadoras do programa também participarão do Programa de Empreendedorismo da empresa.
Para o gerente de Desenvolvimento Social da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da Anglo American, Maurício Martins, “é uma iniciativa muito importante, que visa auxiliar no resgate e valorização da cultura e artesanato locais por meio do incentivo à propagação da técnica do bordado arraiolo, que é muito tradicional. Além disso, também será benéfico especificamente para as mulheres de Conceição do Mato Dentro com a geração de novos empregos e renda”, destacou.
Ainda de acordo com Maurício, a empresa possui pilares onde fazem investimentos na área social: saúde, educação, infraestrutura e respeito às vocações das regiões onde a empresa atua. “O nosso trabalho é dar capacitação às pessoas que trabalham com produtos locais, possibilitando que essas comunidades tenham vocação turística para vender seus produtos”, contou.
A grande importância dada pela Anglo American a esses projetos, segundo Maurício, é que o investimento na vocação da cidade faz com que não crie uma dependência da produção do minério. “As pessoas fazem o sabem fazer bem. Nós damos a infraestrutura para que eles continuem além da mineração, para que eles não dependam do fornecimento da mineração e sim que eles possam usar os recursos gerados da extração para desenvolver suas vocações. A tapeçaria é um resgate cultural que essas mulheres produzirão, gerando renda, emprego e cultura”, contou.
A presidente da Aefao, Rosarinha, tem excelente expectativa para o projeto. “O apoio da Anglo American será fundamental para o resgate do nosso projeto. O mais difícil era obter esse recurso fi nanceiro e apoio para divulgação e exposição dos nossos produtos. Dessa forma, será possível fazer uma estruturação mais formal do Mulheres Tapeceiras, que estava sem patrocínio algum”, ressalta.
Para ela, a principal fi nalidade da Aefao é gerar emprego e mão de obra para a população carente, principalmente mulheres de baixa renda. A associação possui sede que oferece oportunidade de produção no local ou, caso seja da escolha da tapeceira, pegar os materiais e produzir em sua própria casa. Por ser um trabalho manual não são necessários grandes equipamentos. O principal problema era a falta de materiais, que agora é oferecido pela Anglo.
Hoje já estão sendo capacitadas novas mulheres dentro do projeto. A Aefao é composta por seis pessoas, sendo quatro instrutoras que ensinarão as técnicas às alunas. Após a fase de capacitação, essas mulheres se associarão à entidade para produzir tapetes, onde receberão por cada metro quadrado produzido.
Rosarinha conta que ex-tapeceiras já a procuraram para voltar à associação, pois agora há a certeza de materiais para produzir. “Agora a gente tem a verba para investir em material. Mão de obra não falta e nunca faltou. A tendência é sempre ter mais gente para que possamos transmitir nossos conhecimentos e ajudar a manter viva essa tradição”, disse.