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Rifas supostamente beneficentes eram fachada para golpes com participação de advogado, empresário e influenciadores

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Foto: Divulgação/PCMG

Operação realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais e Polícia Civil investigam uma organização criminosa que atuava em todo o território nacional que envolvia um esquema de fraude com títulos de capitalização e rifas de veículos e dinheiro em espécie.

A quadrilha era composta por influenciadores digitais, empresários, um advogado e um contador, agora investigados na “Operação Camarilha”em sua segunda fase, desencadeada nesta terça-feira (17).

Já foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, sendo um deles em imóvel de Goiânia (GO), com a apreensão de 10 veículos. Nenhuma prisão foi efetuada até o momento.

Segundo o MPMG e a Polícia Civil, o grupo tem ramificações em Araguari, no Triângulo Mineiro, Brasília (DF), Praia Grande (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS).

As apurações indicam a prática de estelionato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, contravenção penal de jogo de azar, crime contra a economia popular e as Bets.

A primeira fase da operação se deu em abril de 2023, com a investigação revelando que os criminosos utilizavam autorizações reais para vender Títulos de Capitalização Filantrópica, concedidas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), com intuito de mascarar um golpe milionário.

A empresa de capitalização tinha base em Porto Alegre e autorização da Susep para comercializar títulos na modalidade filantrópica premiável.

Para cada título vendido, somente 5% do valor arrecadado era repassado à entidade filantrópica, enquanto 95% era desviado para influenciadores e empresas intermediárias.

Duas dessas empresas estavam sediadas em Praia Grande, litoral paulista.

A instituição beneficiária identificada nas investigações, ainda era forçada a contratar influenciadores de Araguari, além de uma empresa de Praia Grande, como condição de participar do esquema.

Com isso:

65% do valor dos títulos era repassado aos influenciadores;

20% para a empresa de Praia Grande envolvida;

Apenas 5% ficava para a instituição beneficiária, descaracterizando completamente o suposto caráter filantrópico da iniciativa.

Segundo a investigação, três influenciadores digitais de Araguari usavam suas redes sociais para a divulgação dos títulos passando a ideia de rifas beneficentes, prometendo aos compradores que estariam ajudando as instituições de caridade, mas na verdade, os valores eram desviados para os golpistas.

O delegado Rodrigo Luis Fiorindo Faria explicou: “Eles tinham autorização para fazer esses sorteios de carros e dinheiro em espécie, porém, a forma como eles anunciavam, o jeito que eles realizavam promessas para quem adquiria foi o que enganou milhões de pessoas no país e também caracterizou crime contra a economia”.

Segundo o delegado, o esquema teria movimentado cerca de R$ 15 milhões entre setembro de 2023 e abril de 2025.

A fraude é tão ampla que se tornou um dos focos da CPI das Bets no Senado Federal, presidida pelo senador Hiran Gonçalves e com a relatoria da senadora Soraya Thronicke.

*Fonte: G1

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