Ritmo acelerado
Novas instalações vão permitir aproveitamento do itabirito compacto na usina de Conceição
Matéria publicada na edição 246 da Revista DeFato
Apesar de alguns contratempos envolvendo empreiteiras, a Vale pretende concluir as obras do projeto Conceição Itabiritos ainda este ano e começar a aproveitar o itabirito compacto, até então descartado nas pilhas de estéril. Ainda não há uma data definida para o início das operações, mas o cronograma, de maneira geral, não sofreu muitas alterações.
Desde que foi apresentado, o projeto (que engloba, além de investimentos na atual usina, a construção de uma nova unidade) foi muito bem recebido pela comunidade. O reaproveitamento do minério garantirá a presença da Vale – que neste mês comemora 71 anos – por mais algumas décadas em Itabira, o que deixa a população otimista. A curto prazo, as obras geram oportunidades de emprego, receitas para os cofres públicos e negócios para os empreendedores. A médio/longo prazo, a permanência da empresa dá mais tempo aos administradores da cidade para colocar em prática a tão discutida diversificação econômica.
Nos mesmos moldes do Conceição Itabiritos, a usina do Cauê, uma das mais antigas da Vale, também receberá investimentos. O objetivo é único: adequar a usina já existente e construir uma nova para beneficiar o itabirito duro. Os dois projetos somam cerca de R$ 7 bilhões de investimentos em Itabira, um dos maiores da empresa no estado.
O projeto Cauê está na etapa de retirada de interferências e obras civis para as quais já foram definidas as empresas envolvidas. A empreiteira responsável pela montagem eletromecânica, contudo, ainda não foi contratada. As operações, segundo previsões iniciais, devem começar no segundo semestre de 2015.
Desde 2010, cerca de 17 mil profissionais trabalharam nas obras – grande parte da mão de obra foi contratada na própria cidade, por meio dos programas de preparação para o mercado de trabalho. Durante esse tempo, os projetos demandaram de fornecedores locais e regionais cerca de R$ 345,8 milhões, contratados pela própria Vale e por empreiteiras.
Os números são grandes e a expectativa também. À medida que as tecnologias avançam, a vida útil da atividade mineradora torna-se mais longa. Em Itabira, já se falou no fim da atividade em 2025. Hoje, as previsões são para 2040, quem sabe mais. Em entrevista a DeFato, o ex-presidente da Vale e cônsul honorário do Japão, Wilson Brumer, afirma que Itabira deve aproveitar a presença da mineradora para discutir seu futuro. “Tudo leva a crer que a Vale vai ficar por aqui por muitas e muitas décadas, então esse processo de desenvolvimento econômico e social tem de ser analisado com a Vale presente”, disse (leia mais na página xxx).
Com base no conhecimento atual, a própria Vale garante pelo menos mais três décadas de extração na cidade. Para isso acontecer, entretanto, o mercado externo precisa manter seu apetite por minério, do contrário não adiantaria produzir. Mais um motivo para a cidade unir forças em busca de alternativas.