Rodoanel volta a atrasar e governo de Minas prevê início das obras apenas no 2º semestre de 2026
Licenciamento ambiental travado na Justiça e questionamentos de comunidades quilombolas ainda impedem avanço de uma das principais obras viárias da Grande BH
O governo de Minas Gerais voltou a revisar o cronograma de uma das principais obras viárias da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Agora, a Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias prevê iniciar as obras do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte apenas no segundo semestre de 2026.
O secretário de Infraestrutura de Minas, Pedro Bruno, apresentou a nova estimativa durante o Fórum de Emprego e Renda promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), realizado nesta quarta-feira (11), em Belo Horizonte.
Segundo o secretário, o principal entrave continua sendo o licenciamento ambiental da obra. Atualmente, o processo enfrenta disputas judiciais que impedem o avanço do projeto.
Pedro Bruno afirmou que o governo depende de uma decisão favorável da Justiça para liberar o licenciamento ambiental. Somente após essa autorização o estado poderá iniciar qualquer etapa da construção.
Além disso, o secretário explicou que a legislação ambiental exige o licenciamento de todo o traçado da rodovia antes do início das obras. O projeto prevê cerca de 70 quilômetros de extensão ao redor da capital mineira.
Apesar disso, a execução ocorrerá por etapas. O governo pretende começar pelos trechos com menor impacto ambiental e menor necessidade de desapropriações. Dessa forma, a estratégia busca reduzir conflitos territoriais e acelerar as primeiras frentes de trabalho.
Disputas judiciais e resistência de municípios
O projeto do Rodoanel enfrenta questionamentos desde 2024. Inicialmente, prefeituras da Região Metropolitana criticaram o traçado da rodovia e apontaram possíveis impactos urbanos e ambientais.
Entre os municípios que apresentaram críticas estavam Contagem e Betim. As administrações municipais manifestaram preocupação com desapropriações, impactos ambientais e mudanças na dinâmica urbana.
No entanto, o governo estadual afirma que conseguiu avançar nas negociações com as prefeituras. Segundo Pedro Bruno, as divergências com os municípios estão praticamente superadas.
Por outro lado, o estado ainda tenta resolver um novo impasse judicial. Atualmente, o governo busca um acordo com a Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais, que questiona possíveis impactos do projeto sobre territórios tradicionais.
Representantes dessas comunidades defendem estudos ambientais mais detalhados e maior participação no processo de licenciamento.
Projeto busca desafogar o trânsito da Grande BH
O Rodoanel Metropolitano é considerado estratégico para a logística e a mobilidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A proposta pretende retirar o tráfego pesado das áreas urbanas da capital e redistribuir o fluxo de caminhões na região.
Atualmente, grande parte desse tráfego passa pelo Anel Rodoviário de Belo Horizonte, via que já opera acima da capacidade e registra alto número de acidentes.
Com o novo anel viário, o governo pretende reduzir congestionamentos, melhorar a segurança nas rodovias e ampliar a eficiência logística do transporte de cargas.
Além disso, o projeto pode estimular a instalação de novos polos industriais e centros logísticos ao longo do traçado.
Promessas antigas e sucessivos adiamentos
O projeto do Rodoanel voltou ao centro do debate em 2022, quando o governo estadual anunciou que financiaria parte da obra com recursos do acordo de reparação pelo rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em Mariana, em 2015.
Na época, o governo indicou que as obras poderiam começar em 2024. No entanto, disputas ambientais, questionamentos judiciais e ajustes no projeto provocaram sucessivos adiamentos.
Agora, o governo projeta iniciar os trabalhos no segundo semestre de 2026. Mesmo assim, o próprio secretário reconhece que o cronograma depende diretamente da decisão da Justiça sobre o licenciamento ambiental.
Portanto, caso o impasse judicial se prolongue, o início das obras ainda poderá sofrer novos atrasos.




