Rompimento de barragem em Barão de Cocais poderia deixar 500 mil pessoas sem água

A elevação do nível de risco de rompimento da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, de dois para três, acendeu preocupação não só no município que sedia a estrutura da Vale, mas também em cidades vizinhas que teriam o abastecimento de água comprometido. De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Piracicaba, […]

Rompimento de barragem em Barão de Cocais poderia deixar 500 mil pessoas sem água
Rio Piracicaba

A elevação do nível de risco de rompimento da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, de dois para três, acendeu preocupação não só no município que sedia a estrutura da Vale, mas também em cidades vizinhas que teriam o abastecimento de água comprometido. De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Piracicaba, até 500 mil pessoas poderiam ser afetadas em caso da onda de rejeitos atingir a bacia que se estende por 240 quilômetros em Minas Gerais.

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Segundo o presidente da CBH, Flamínio Guerra, o rio Piracicaba e seus afluentes, São João e Santa Bárbara, são responsáveis pelo abastecimento em, pelo menos, 11 municípios nas regiões do Médio Piracicaba e Vale do Aço: Barão de Cocais, Santa Bárbara, São Gonçalo do Rio Abaixo, João Monlevade, Bela Vista de Minas, Nova Era, Antônio Dias, Jaguaraçu, Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga.

De acordo com o que já foi projetado pelos órgãos de segurança, um possível rompimento da barragem em Barão de Cocais primeiro atingiria o rio São João, que corta o município. Depois, a lama de rejeito seguiria para o rio Santa Bárbara, que por sua vez desagua no rio Piracicaba. O destino final, mais uma vez, seria o rio Doce, afetado há três anos pelo desastre de Mariana. A Vale afirma, no entanto, ter um plano para conter os rejeitos na região de São Gonçalo do Rio Abaixo.

“Estamos acompanhando, preocupados com toda esta situação, e cobrando dos envolvidos uma plena recuperação de todo o empreendimento”, afirma o presidente do CBH Piracicaba. Ele comentou que tem sido informado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) sobre os desdobramentos em Barão de Cocais e que encaminhou à Vale e aos órgãos competentes ofícios com questionamentos sobre monitoramentos e ações futuras a serem adotadas.

“O barramento, segundo os órgãos e profissionais, está muito sensível, com iminência real de rompimento”, cita Flamínio, que ainda ressaltou “o empenho dos órgãos estaduais e municipais envolvidos neste evento”.

Rio Santa Bárbara, em João Monlevade, é um dos que deságua no Piracicaba – Foto: Divulgação

Temor em João Monlevade

O risco de rompimento em Barão de Cocais causa temor em João Monlevade. A cidade, atualmente, tem no rio Santa Bárbara a fonte de captação para entregar água a 80% de sua população. Nessa terça-feira, 26, o diretor do Departamento de Água e Esgoto (DAE) dao município, Cleres Roberto de Souza, se reuniu com o coordenador da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flávio Godinho, e membros da equipe ambiental da Vale para tratar do assunto.

Cleres Roberto externou a preocupação da Prefeitura monlevadense com relação à possível interrupção do abastecimento de água na cidade. O DAE afirma que não teria alternativa exequível de abastecimento a curto e médio prazo para levar água, sendo que a longo prazo isso custaria muito dinheiro. Diante disso, o departamento solicitou que a Vale crie um plano de contingência para mitigar os efeitos de um possível acidente e paralisação do abastecimento em João Monlevade.

Segundo a Prefeitura de Monlevade, a Vale respondeu que, em caso de rompimento, a lama seria contida na região da lagoa do Peti, em São Gonçalo, e não avançaria para os demais municípios. De acordo com o posicionamento da mineradora, o que ocorreria seria apenas o aumento do nível de turbidez. A empresa ainda afirmou que, em caso de rompimento da barragem, toda assistência será prestada para garantir o abastecimento de água à população.

Ficou acordado que o DAE fornecerá todas as informações sobre o sistema de abastecimento da cidade, como número de reservatórios, volume consumido, quantidade e localização da população atendida, entre outros detalhes, para que a Vale faça um estudo mais aprofundado sobre a situação. Cleres Roberto disse que será remarcada uma nova reunião com a mineradora para alinhar o planejamento desse estudo.

Representantes do DAE, da Vale e Defesa Civil discutiram sobre impactos para a população de Monlevade – Foto: Acom PMJM

O rio Piracicaba

Com 240 quilômetros de extensão, o rio Piracicaba nasce em uma das vértices da serra do Caraça, no distrito de São Bartolomeu, em Ouro Preto. De lá, avança por 21 municípios até desaguar no rio Doce, entre Ipatinga e Timóteo. Seus principais afluentes são os rios Santa Bárbara, Prata, do Peixe e Maquiné.

Rio Piracicaba, antes de desaguar no rio Doce – Foto: Divulgação