Sabe aquele susto com mensagens de cobrança que você não fez? Ensinamos a identificar as fraudes na hora
Poucas situações causam tanta apreensão quanto abrir o celular e encontrar uma notificação dizendo que existe um boleto em atraso, uma compra prestes a vencer ou uma dívida que você sequer reconhece, não é mesmo?
Nos últimos anos, esse tipo de golpe se tornou cada vez mais comum no Brasil, e as mensagens de cobrança falsas passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.
O problema é que muitas delas são tão bem elaboradas que conseguem enganar até quem costuma ser cuidadoso com a segurança digital.
Em contrapartida, alguns hábitos simples ajudam a diminuir bastante os riscos. Um deles é utilizar um serviço de email que priorize a proteção das comunicações. Isso principalmente para contas que se usa em bancos, compras online e serviços essenciais. Embora isso não elimine todas as tentativas de golpe, reduz a exposição de informações importantes e facilita a organização das mensagens legítimas.
Por que as mensagens de cobrança falsas parecem tão convincentes?
Há alguns anos, era relativamente fácil identificar uma fraude. Erros grosseiros de português, logotipos de baixa qualidade e remetentes claramente suspeitos denunciavam a tentativa de golpe logo à primeira vista.
Hoje, o cenário mudou. Os criminosos investem tempo para reproduzir a identidade visual de empresas famosas, utilizam linguagem semelhante à das instituições financeiras e até personalizam mensagens com o nome da vítima. Em alguns casos, incluem dados reais obtidos em vazamentos antigos para aumentar a sensação de credibilidade.
É esse detalhe que faz muita gente acreditar que a cobrança é verdadeira. A estratégia costuma explorar um gatilho emocional bastante eficiente: a urgência. Frases como “evite o bloqueio da sua conta”, “última oportunidade para pagamento” ou “regularize sua pendência hoje” incentivam decisões impulsivas, antes mesmo que a pessoa tenha tempo para verificar a autenticidade da mensagem.
Além disso, os brasileiros têm muito com o que se preocupar. O Brasil segue entre os países mais afetados por crimes cibernéticos na América Latina, segundo o relatório Panorama de Ameaças para a América Latina, da Fortinet. Sem falar que o phishing (técnica para roubar dados por meio de mensagens falsas) continua sendo uma das principais portas de entrada para fraudes financeiras.
Como identificar mensagens de cobrança falsas antes de cair no golpe
Não existe um único sinal capaz de confirmar que uma cobrança é fraudulenta. Em compensação, alguns indícios costumam aparecer com frequência.
O primeiro deles é o remetente. Muitas mensagens utilizam endereços estranhos, com combinações aleatórias de letras e números ou domínios que não pertencem à empresa.
Observar o conteúdo é igualmente importante. Cobranças verdadeiras normalmente informam detalhes claros sobre o débito, enquanto mensagens fraudulentas costumam ser genéricas e insistem para que o pagamento seja feito imediatamente.
Também vale prestar atenção aos links. Antes de clicar, passe o cursor sobre o endereço (ou pressione o link por alguns segundos, no celular) para verificar qual será o destino da navegação. Se o domínio parecer diferente do oficial da empresa, o melhor caminho é interromper o processo.
O que fazer quando a cobrança parece verdadeira?
Essa talvez seja a situação mais delicada. Imagine receber uma mensagem informando que há uma fatura em aberto justamente de um serviço que você utiliza. A tendência natural é pensar que pode ter esquecido algum pagamento.
Nesses momentos, o impulso costuma ser o maior inimigo. Assim, antes de efetuar qualquer transferência, consulte o aplicativo oficial da empresa ou acesse sua área de cliente pelos canais que você já conhece. Nunca utilize o link da mensagem como ponto de partida para essa verificação.
Outro cuidado importante é desconfiar de pedidos de pagamento via PIX para chaves estranhas ou contas em nome de pessoas físicas quando a cobrança deveria partir de uma empresa.
Na maioria das situações, alguns minutos de conferência são suficientes para evitar um prejuízo financeiro.
Nem sempre o objetivo é receber um pagamento
Existe uma ideia bastante difusa de que esses golpes servem apenas para convencer a vítima a pagar um boleto inexistente. Nem sempre é assim. Em muitos casos, o verdadeiro objetivo é capturar informações.
Ao clicar em um link falso, a vítima pode ir para uma página que imita o ambiente de um banco ou de uma empresa verdadeira. Ali, sem perceber, informa login, senha, CPF ou dados do cartão de crédito.
Essas informações podem ser utilizadas posteriormente em outros golpes, inclusive contra familiares e contatos próximos.
É por isso que especialistas em segurança costumam afirmar que os dados pessoais, muitas vezes, valem mais do que o próprio pagamento obtido na fraude inicial.
A melhor defesa continua sendo desconfiar
Golpes digitais evoluem constantemente. Sempre que uma modalidade deixa de funcionar, outra surge com pequenas adaptações. Por isso, criar uma postura mais crítica diante das mensagens faz toda a diferença:
- Recebeu uma cobrança que não esperava? Pare por alguns instantes antes de agir;
- Pergunte a si mesmo: eu realmente tenho relação com essa empresa?
- Esse valor faz sentido?
- O remetente corresponde ao canal oficial?
- Existe outra forma de confirmar essa informação?
Essa pausa, que leva menos de um minuto, costuma evitar decisões precipitadas.
E se você clicar no link por engano?
Isso acontece com mais frequência do que muita gente imagina. Se o clique ocorreu, mas você não preencheu nenhuma informação, o risco costuma ser menor. Ainda assim, vale fechar a página imediatamente e executar uma verificação de segurança no dispositivo.
Caso tenha informado login, senha ou dados bancários, a recomendação é agir rapidamente. Altere as credenciais da conta, ative a autenticação em dois fatores, se ela ainda não estiver ativa, e entre em contato com a instituição financeira para informar a situação.
Quanto mais cedo você tomar essas medidas, maiores são as chances de impedir o uso indevido das informações.
Informação e calma ainda são as melhores formas de evitar prejuízos
Os golpes mudam de formato, adotam novas estratégias e acompanham a evolução da tecnologia. O que permanece praticamente igual é a forma como tentam convencer a vítima: criar sensação de urgência e provocar uma reação impulsiva.
Por isso, sempre que receber mensagens de cobrança inesperadas, vale lembrar que a pressa raramente joga a favor do consumidor. Conferir a origem da comunicação, confirmar a existência do débito pelos canais oficiais e desconfiar de qualquer pedido fora do padrão são atitudes simples, mas extremamente eficazes.