São Gonçalo do Rio Abaixo: terra da maior mina do Estado tem outras riquezas
São Gonçalo do Rio Abaixo vem passando por momentos difíceis com a paralisação parcial da Mina de Brutucu, a maior do Estado e que representa 9% da produção nacional da mineradora Vale. A suspensão das atividades de extração de minério que resultam em material úmido desde fevereiro se deu por ordem da Justiça devido à […]

São Gonçalo do Rio Abaixo vem passando por momentos difíceis com a paralisação parcial da Mina de Brutucu, a maior do Estado e que representa 9% da produção nacional da mineradora Vale. A suspensão das atividades de extração de minério que resultam em material úmido desde fevereiro se deu por ordem da Justiça devido à proibição de despejo de rejeitos na barragem de Laranjeiras, por questões de segurança.
A redução na produção impacta na arrecadação – perda de R$ 220 mil por dia, conforme declarado pelo prefeito Antônio Carlos em fevereiro. Mas o problema também faz o município refletir sobre a necessidade de diversificação econômica, e o turismo é uma das alternativas. “O turismo é de grande importância para nosso município, sendo bem fomentado, contribui com geração de empregos e crescimento do comércio, e consequentemente resulta na diversificação da economia”, declarou o secretário de Cultura, Ulysses Guimarães Fonseca.
O município recebeu, em média, no primeiro trimestre deste ano, R$ 6,8 milhões por mês de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem). Em São Gonçalo do Rio Abaixo não há uma vinculação direta de destinação dessa verba destinada ao turismo. “Mas indiretamente os recursos da Cfem são revertidos em reforma do nosso patrimônio histórico, capacitação dos nossos servidores e na realização de ações de fomento ao turismo”, afirma o secretário.

1º Festival Gastronômico
A capacitação dos servidores da área de Turismo e Cultura é feita constantemente pelo município, segundo Ulysses Guimarães. “Atualmente, estamos em fase de criação do Festival Gastronômico que ocorrerá em paralelo ao Festival de Inverno.
Os comerciantes do setor alimentício que vão participar do evento seguem recebendo capacitação por meio de workshops e consultorias”, afirmou. O 1º Festival Gastronômico vai incrementar a 15ª edição do Festival de Inverno. O evento, que será realizado de 26 a 28 do mês que vem, na praça Central, promete boa música, atrações culturais e boa comida. Já está confirmado para o dia 26 o show do 14 Bis.

Município guarda bens culturais
Localizado a 84 km de Belo Horizonte e com cerca de 10 mil habitantes, São Gonçalodo Rio Abaixo se formou no início do século 18, com a exploração do ouro. O patrimônio histórico convive hoje com construções modernas.
A Matriz de São Gonçalo data de 1733 e ganhou mais destaque em 1871 com a construção do cruzeiro, o maior do estado naquela época. O templo foi dedicado a São Gonçalo de Amarante e recebeu o seu nome. A Igreja Nossa Senhora do Rosário é outro templo religioso do século 18 de grande valor histórico. Na zona rural, em Vargem Alegre, está a Igreja de São Sebastião.
Bem mais recente, o Memorial do Padre João é um ponto turístico de São Gonçalo. O pároco chegou ao município em 1924, onde permaneceu por mais de meio século. Ele faleceu em 1984, aos 94 anos. Em 2016, foi construído um memorial em sua homenagem, com uma estátua gigante.
O Sítio Arqueológico no distrito da Demanda reúne grafismo rupestres espalhados pelas paredes do e sua existência é estimada entre 2.500 a 7.000 anos. Tem ainda a Fazenda Brejaúba que possui arquitetura colonial do século 19.
Usina de Peti
Uma das atrações turísticas e de desenvolvimento industrial de São Gonçalo do Rio Abaixo é a Usina Hidrelétrica e estação Ambiental de Peti, pertencente à Cemig. A sua construção teve início em 1942 e a inauguração aconteceu em maio de 1946, possui uma geração de 9,4 MW e atende diretamente as cidades de São Gonçalo do Rio Abaixo, Santa Bárbara, Catas Altas e Barão de Cocais.
Reportagem divulgada na edição nº 60, de junho de 2019, do jornal “Cidades Mineradoras”