São Gonçalo lança Observatório de Desenvolvimento Econômico e Social: “ferramenta para embasar decisões”, diz Gabriel Quintão

Plataforma reúne indicadores inéditos, como custo de vida e diversificação econômica, para orientar políticas públicas e investimentos no município

São Gonçalo lança Observatório de Desenvolvimento Econômico e Social: “ferramenta para embasar decisões”, diz Gabriel Quintão
Foto: Gustavo Linhares/DeFato Online

A Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo lançou, na tarde de segunda-feira (27), o Observatório de Desenvolvimento Econômico e Social, uma plataforma estruturada para consolidar dados e orientar a tomada de decisões no município. A iniciativa reúne informações de bases oficiais e levantamentos locais, com foco em planejamento estratégico, transparência e diversificação econômica.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo, Gabriel Quintão, o projeto nasce alinhado à gestão baseada em evidências. “O prefeito Nozinho [Raimundo Nonato de Barcelos, PDT], para tomar as suas decisões, gosta de se basear em dados concretos e dados que dão segurança para o gestor. E o que nós buscamos fazer foi mapear e juntar muitos desses dados”, afirmou.

Entre os diferenciais do observatório estão dois indicadores inéditos: o Índice de Preço ao Consumidor de São Gonçalo do Rio Abaixo (IPC-SGRA), que acompanha o custo de vida local, e o Índice de Diversificação Econômica de São Gonçalo do Rio Abaixo (IDE-SGRA), voltado à medição da dependência da economia em relação à mineração.

Segundo Gabriel Quintão, a ferramenta permitirá compreender a dinâmica socioeconômica e direcionar investimentos. “A gente está falando de geração de emprego, qualificação da população, faixa etária (…). E a partir do entendimento da dinâmica do município, a gente consegue fazer essa tomada de decisões”, explicou.

O secretário destacou ainda o papel estratégico da plataforma diante da realidade mineradora. “Quando a gente fala de município minerador, isso se torna ainda mais importante porque o recurso da mineração não é um recurso que dura para sempre. A mineração uma hora vai acabar. E o que a gente tem feito em São Gonçalo, sob a liderança do Nozinho, é utilizar esse recurso, que é um recurso passageiro, em um investimento permanente”, disse.

Responsável técnico pelo Observatório de Desenvolvimento Econômico e Social, o professor de economia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Luiz Mateus Ferreira, ressaltou o caráter estruturante da iniciativa. “O observatório é um projeto que visa oferecer dados, interpretação dos dados, avaliação desses dados, e ser um fomento à política pública no município de São Gonçalo”, afirmou.

Luiz Ferreira, que também é pesquisador do Instituto Mineiro de Desenvolvimento Socioambiental (IMDS), parceiro no desenvolvimento do projeto enfatizou o processo de imersão no município. “Nós fizemos uma imersão, viemos semanalmente a São Gonçalo buscar dados, pesquisar dados, interagir com as pessoas (…), entender o que é a cidade, para depois ir aos dados e entender como esses dados traduzem ou não traduzem essas realidades”, disse.

Para Thalison Matheus Maia de Carvalho, presidente do IMDS, o observatório consolida uma política pública permanente. “O que a gente consegue perceber e que agora é evidenciado em São Gonçalo é, de fato, a repercussão. Não somente dados, mas sim indicadores de qualidade que, de fato, podem nortear a gestão pública”, afirmou.

Outras aplicações

Além de subsidiar políticas públicas, a plataforma também permitirá mensurar impactos econômicos de ações municipais. Gabriel Quintão citou como exemplo a análise da 38ª Cavalgada de São Gonçalo do Rio Abaixo, que movimentou o comércio local. “Mais de 71% do comércio local sentiu o aumento das suas vendas durante o período de cavalgada. Mais de 27% dos comércios tiveram um aumento na sua renda de R$ 1.000,00 por dia”, destacou.

Com acesso público a um painel interativo, o Observatório de Desenvolvimento Econômico e Social pretende ampliar a transparência e fortalecer o controle, ao mesmo tempo em que posiciona São Gonçalo do Rio Abaixo como referência em gestão orientada por dados.