São Paulo investiga série de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas

Polícia Federal apura a origem da substância; estado já registrou três mortes e pelo menos seis casos confirmados

São Paulo investiga série de intoxicações por metanol em bebidas adulteradas
Imagem: Reprodução/Polícia Federal

As autoridades de São Paulo investigam uma onda de intoxicações provocadas por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. Até esta semana, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou três mortes, seis casos de contaminação e outros dez seguem sob apuração. As ocorrências envolvem consumo de gin, uísque e vodka em bares, adegas e estabelecimentos da Grande São Paulo.

Entre as vítimas está Rafael Martins, jovem que permanece internado em estado grave após ingerir gin em um encontro com amigos, e Radharani Domingos, de 43 anos, que perdeu a visão depois de tomar caipirinhas preparadas com vodka em um bar. Ambos os casos ganharam ainda maior repercussão após serem apresentados no programa Fantástico da Globo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública orientou hospitais e profissionais da saúde a incluírem a suspeita de intoxicação por metanol em pacientes com sintomas graves após o consumo de álcool. A recomendação também se estende a bares e distribuidores, reforçando a necessidade de atenção à procedência dos produtos vendidos.

A Polícia Federal abriu inquérito para identificar a origem do metanol utilizado na adulteração. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que há indícios de que a rede de fornecimento possa atuar em outros estados além de São Paulo. Segundo ele, o número de casos chamou a atenção por fugir ao padrão. Normalmente, as ocorrências de intoxicação envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade, mas desta vez surgiram em locais comuns de consumo.

O diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, informou que há uma apuração sobre possível conexão com o crime organizado, incluindo investigações anteriores sobre a importação irregular de metanol pelo porto de Paranaguá (PR). Apesar disso, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, descartou, até o momento, a participação direta do PCC nos casos.

O governo federal emitiu um alerta nacional após constatar que só em setembro São Paulo concentrou quase metade dos casos de intoxicação por metanol normalmente registrados em todo o país ao longo de um ano. A Secretaria de Defesa do Consumidor enviou nota técnica a bares e restaurantes pedindo atenção a embalagens com alterações e ao histórico de compra junto aos fornecedores.

Em alguns estabelecimentos onde houve suspeita de bebidas adulteradas, fiscais já notificaram os responsáveis para identificar a origem do produto, quem realizou a manipulação e de que forma ele foi comercializado.

*Com informações apuradas pelo G1.