Se estivesse vivo, Newton Baiandeira completaria 69 anos

O compositor, músico e poeta marcou significativamente a cultura itabirana

Se estivesse vivo, Newton Baiandeira completaria 69 anos
Foto: Elderth Theza
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Autor de “O Trem Que Leva Minas”, uma das canções mais emblemáticas sobre Itabira e mineração, Newton Baiandeira, caso estivesse vivo, completaria 69 anos nesta quarta-feira (6). O compositor, músico e poeta teve atuação marcante na produção cultural da cidade e região.

Baiandeira faleceu em 13 de setembro de 2012, aos 60 anos, após passar mal em casa, deixando esposa e quatro filhos. Passados oito anos do incidente, o itabirano ainda sente saudade de um personagem importante da sua história e que deixou um enorme legado artístico.

“Dá pra se perder entre as músicas, poesias e artes plásticas do meu pai. Ele era um cara que amava Itabira de uma maneira que foge da nossa compreensão. Viveu e entregou sua arte para a cidade. Eu, como filha e ainda mais como fã, sinto uma falta tremenda! “, conta Nayara Villar, filha do músico itabirano.

Newton Baiandeira partiu deixando uma vasta obra artística. Porém, sua família tem encontrado dificuldades para gerir esse importante acervo. De acordo com Nayara Villar, o produtor Cléber Camargo foi procurado para auxiliar na manutenção e divulgação do trabalho do artista.

“O acervo dele exige um cuidado que nem sempre conseguimos ter por vários motivos. Dentre esses motivos está a dor. É difícil pegar uma folha com a grafia dele impressa e não sentir um misto de saudade, tristeza e até um pouco de revolta pela falta de valorização da arte dele”, relata Nayara Villar. “Alguns meses atrás procuramos o amigo Cléber Camargo pra nos auxiliar quanto ao cuidado da obra e posso garantir que muitos e bons frutos irão surgir dessa parceria”, completa.

Em suas redes sociais, Cleber Camargo divulgou um texto homenageando o Baiandeira. Na publicação, o produtor cultural destacou que “muitas outras atividades e homenagens serão realizadas em parceria com a família do Baiandeira. Ainda virão: livro, CD, documentário, Festival Baiandeira 70, entre outras ações e atividades. Baiandeira, presente, sempre”.

Se estivesse vivo, Newton Baiandeira completaria 69 anos
Foto que ilustrou o primeiro EP, homônimo, do Newton Baiandeira. Foto: Acervo pessoal

Memória

Em entrevista concedida para a DeFato em 2010, o cantor, compositor e poeta contou sobre sua vida e o que mais lhe marcou na carreira. Confira trecho da entrevista a seguir.

“Venho de uma família de músicos e desde criança minha convivência com as artes foi determinante para a minha escolha de rumo. Se a música inspirada pela família me levou a cantar, a revelação conturbada do poeta Carlos Drummond de Andrade em meus quatro anos de idade me levaram à poesia também muito cedo. Na agenda cultural da escola — música, teatro, poesia —, minhas atuações artísticas eram bem recebidas e incentivadas. Com oito anos de idade, devo ter sido o primeiro ‘Drummonzinho’ a recitar CDA pelas ruas de Itabira.

Algumas coisas marcaram minha história, com mais ou menos destaque: ganhar o primeiro Festival da Canção; gravar o meu primeiro disco, ‘Raio de Sol’; publicar o primeiro livro de poemas, ‘Um Sem Fim de Coisas’; cantar no ‘Lula Lá’ em Belo Horizonte para um público de setenta mil pessoas; aprender uma nota especial no violão com o papa da bossa nova, Roberto Menescal, no Rio [de Janeiro]; tocar por anos nas noites de São Paulo etc.

Mas o que me marca profundamente é a força da minha música; encanta-me ‘O Trem Que Leva Minas’ ser consumido em tantos países do mundo sem que eu tenha precisado sair daqui. Nunca me preparei para o sucesso espetacular ou a fama. Acredito até que tive sempre muito receio, um fio de medo de não poder administrar as loucuras que se apregoavam sobre famosos. Ainda hoje, esse temor de perder o conquistado pelo incerto parece me proteger mais do que prejudicar. Sempre tive a incerteza de ir e não poder voltar. Minha relação com Itabira é meio que de filho agarrado à saia de mãe”.