Sem Feira Hippie, expositores buscam alternativas para vender produtos

Suspensa desde 22 de março, feirantes tentam se ajudar como podem para que não falte o básico em tempos de pandemia

Sem Feira Hippie, expositores buscam alternativas para vender produtos
Perfil criado no Instagram para expositores mostrarem seus produtos. Foto: falafeiraoficial

Realizada tradicionalmente na Avenida Afonso Pena em frente ao Parque Municipal, área central de BH, a Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte, tradicionalmente conhecida como feira hippie, está com as atividades paralisadas desde 22 de março. Com a chegada do Covid-19, o ponto de encontro de todos os domingos dos mineiros e turistas foi suspenso por tempo indeterminado.

Sem previsão para retomar as atividades, já que a feira conta com a participação estimada de cerca de 80 mil visitantes semanais, feirantes tentam buscar outros meios para manterem as contas em dia. Atualmente, são cerca de 1.800 expositores que estão alocados ao longo da avenida nos 18 setores.

Dificuldade

Já faz 10 domingos que a barraca de Paulo Favaretto, de 50 anos, já não é mais montada no ponto em frente ao palácio da justiça na avenida Afonso Pena. Assim como para os demais companheiros de feira, as barracas precisaram ser recolhidas.

O feirante conta que a situação anda complicada, já que em casa, a renda para sobreviver vem da comercialização de decoração infantil, produtos que todo final de semana encantava os visitantes.

De acordo com Favaretto, os feirantes tem feito um mutirão com a intenção de que não falte o básico em tempos de crise, isolamento e incertezas. “Estamos fazendo uma campanha de cestas básicas em que o próprio expositor que tem mais condições, está ajudando o que está mais apertado”, lamentou.

A proposta de se ajudarem partiu da negação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte para que fosse encaminhado uma ajuda básica de alimentação. Neste período em que a feira está suspensa, a prefeitura isentou os feirantes da mensalidade que é paga pelo uso do logradouro público, o que para Favaretto e seus companheiros não é o suficiente. “A feira é nossa única fonte de renda, igualmente a maioria dos expositores. A única ajuda até agora vinda da PBH foi a paralisação da mensalidade que pagamos por uso do logradouro público, pedimos outras ajudas, como cestas básicas, mas nos foi negado”.

Alternativas

Para driblar a crise, o feirante e sua esposa estão comercialização os trabalhos pelo Instagram, o que faz uma pequena porcentagem girar para garantir o essencial. “Estamos vendendo nossos produtos pelo Instagram. Estamos produzindo, vendendo pela internet e entregando sem custo. Não são muitas vendas, nem são todos os expositores que estão vendendo, mas, está ajudando a mostrar nossa mercadoria e girar um pouco nossa economia. Com certeza, a maioria não está conseguindo manter as contas em dia” conta o expositor.

Para o também comerciante e Presidente voluntário do Centro de Artesanato Mineiro do (Palácio das Artes), Luiz Augusto Pianett, mais conhecido como Gutty Pianetti que há 35 anos trabalha na feira com a esposa na confecção e venda de telas pintadas, a situação não anda fácil “Como milhões de Brasileiros, nos expositores temos a consciência da importância do isolamento social que estamos cumprindo, mas estamos preocupados e sofrendo pela falta de apoio e a maioria está sobrevivendo da ajuda de amigos e parentes”.

Além da dificuldade, a classe vem se mobilizando para que haja ajuda mútua, mas, segundo Gutty a situação se agrava, já que não há maneira de ajudar a todos. “Atender a tantos se torna uma missão impossível para a sociedade civil e assistimos nossos gestores gastando em coisas que na realidade não atende a população em geral”.

Feira online

Devido a pandemia, os expositores agora realizam as vendas pela internet, o objetivo é tentar fazer a renda girar. O perfil no Instagram foi criado por Silva Piastrelli de 37 anos.

Piastrelli conta que depois que o funcionamento foi suspenso, a maneira que surgiu para ajudar a continuar com as vendas foi através do perfil “Como muitos deles são idosos, aí eu resolvi criar a página para divulgação dos produtos deles, para ajuda-los. Eu faço as publicações, eles me mandam as fotos e solto na rede”.

Ainda segundo Piastrelli, o próximo passo é fazer uma logística de entrega e tentar fechar parcerias com motoboys para que as entregas possam sair mais em conta, já que as vendas se encontram tímidas “Estamos fazendo um levantamento de motoboys para vermos se conseguimos uma taxa mais em conta para os compradores”. A página conta mais de 34 mil usuários

PBH

Até o fechamento desta matéria, tentamos contato com os respectivos responsáveis pela administração da feira pelo e-mail: [email protected], mas não obtivemos retorno.