Serial ‘killer’ acusada de matar 4 teve ajuda da irmã e de filha de vítima

Ana Paula confessou ter matado Marcelo e afirmou ter contado com a ajuda da irmã para “limpar o lixo”

Serial ‘killer’ acusada de matar 4 teve ajuda da irmã e de filha de vítima
Ana Paula assassinou diversas pessoas- Foto: Reprodução/ Tv Globo/ Fantástico

Ana Paula Veloso Fernandes (36), contou com a ajuda da irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes nas quatro mortes pelas quais é acusada, segundo a Polícia Civil de São Paulo.

Em depoimento à polícia, Roberta afirmou que em mudança do Rio de Janeiro para São Paulo, com sua irmã, no início de janeiro deste ano, foram morar os fundos do imóvel de Marcelo Hari Fonseca, uma das vítimas de Ana Paula.

Segundo as investigações, uma das causas seria a apropriação da casa, que a suspeita alega ter agido por desentendimentos.

Ana Paula confessou ter matado Marcelo e afirmou ter contado com a ajuda da irmã para “limpar o lixo”.

As investigações indicam que as duas teriam queimado o sofá onde o corpo foi encontrado e lavado o local para tentar eliminar vestígios do crime.

As irmãs, junto com dois filhos adolescentes, permaneceram por dias no mesmo terreno em que o corpo putrefava. Ana Paula Simulou ter encontrado o cadáver já em decomposição e acionado as autoridades, que, afirmam, que já era possível sentir o forte odor do lado de foram do imóvel, além da presença de muitos mosquitos.

Trecho do inquérito policial diz que, “pela conformação do imóvel e pelo odor perceptível externamente, é inverossímil a permanência de moradores nos fundos sem a percepção imediata do quadro.”

Já o idoso Neil Corrêa da Silva (65), morto no dia 26 de abril deste ano, morreu após comer uma feijoada envenenada. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, mas não resistiu. Seu corpo foi exumado na quinta-feira (9) e vai ser periciado.

Sua filha, Michele Paiva da Silva teria prometido a Ana Paula pagar R$ 4 mil a para que ela fosse a Duque de Caxias para matá-lo.

As duas se conheceram em sala de aula em faculdade de Direito e mantiveram contato após a assassina se mudar para a capital paulista.

Michele foi presa na segunda-feira (6), em frente à faculdade no bairro Engenho Novo, zona norte do Rio.

Ana Paula e sua irmã planejaram previamente a divisão e tarefas do assassinato de Neil.

Conversas recuperadas pela perícia mostram que as irmãs utilizavam de um código para se referirem ao homicídio- chamavam de TCC- recomendavam o uso exclusivo de dinheiro em espécie na cobrança do pagamento e advertiam entre si sobre a preferência por ligações para tratar “coisas mais importantes”.

A serial ‘killer’ relatou o crime em tempo real por mensagem à sua irmã, se referindo ao idoso como “gato morto da Michele”. Em áudios para Roberta, ela afirmou que tentou dar comida “batida no feijão” para Neil, que “só comeu duas colheres e deitou”. Em seguida disse que “não havia conseguido fazer o TCC como planejado” e que “teve providências”, expressão que no contexto das conversas indica a execução do homicídio.

Ana Paula é também acusada de matar por envenenamento o companheiro Hayder Mharzres (21), tunisiano que estava em São Paulo desde março, dias após matar Neil. Ela conheceu Hayder por um aplicativo de relacionamento, que foi pressionado a se casar sob alegação de estar grávida dele. Hayder recusou a intimação e foi morto com chumbinho no dia 23 de maio, no Brás, centro da capital.

A assassina enviou vídeo do Hayder na UTI de um hospital para Roberta, mantendo-a informada em tempo real, e logo após a confirmação da morte, voltaram a conversar sobre temas banais.

Com a morte do tunisiano, Ana Paula exigiu dos familiares dele o reconhecimento dela como herdeira, simulando gravidez em fotografia para os familiares da vítima, com mensagens em árabe e com teor ofensivo e ameaçador, chegando a apelar ao Consulado da Tunísia no Brasil em busca de vantagens financeiras.

Maria Aparecida Rodrigues foi encontrada morta em sua residência, horas após se encontrar com Ana Paula, que quem se relacionava amorosamente em virtual.

A vítima, pouco antes de morrer, teria ido á casa de Ana Paula e Roberta, onde comeu um bolo e tomou café.

A investigação concluiu que a suspeita havia se relacionado com um policial militar, que descobriu, posteriormente que era casado, atribuindo a morte de Maria a ele e sua esposa, numa espécie de vingança, deixando bilhetes e mensagens que os ligassem falsamente ao crime.

O delegado Halisson Ideião, da Primeira DP de Guarulhos contou que os assassinatos das irmãs ocorreram num período de cinco meses, entre janeiro e maio de 2025.

A defesa de Ana Paula disse não haver provas conclusivas contra ela e que não existem elementos robustos e definitivos que autorizem conclusão sobre sua participação nas quatro mortes investigadas.

*Fonte: UOL