Símbolo do jornalismo dos Estados Unidos, Larry King morre aos 87 anos

A causa da morte não foi divulgada, mas, segundo vários jornais, Larry lutava há semanas contra a Covid-19. O jornalista teve vários problemas de saúde nos últimos anos

Símbolo do jornalismo dos Estados Unidos, Larry King morre aos 87 anos
Foto: Business Insider

O icônico jornalista americano Larry King morreu neste sábado (23), aos 87 anos — informou sua empresa, a Ora Media. A causa de seu falecimento não foi divulgada, mas, segundo vários jornais, Larry lutava há semanas contra a Covid-19. O jornalista teve vários problemas de saúde nos últimos anos.

Com suas famosas tiradas e seus óculos pretos, King era conhecido por seu programa de entrevistas na rede CNN: “Larry King Live”, conduzido por ele por 25 anos. “Durante 63 anos e em plataformas como rádio, televisão e meios digitais, as milhares de entrevistas, prêmios e reconhecimento global a Larry são um testamento de seu talento único e duradouro como comunicador”, diz a nota publicada pela Ora Media no Twitter.

A longa lista dos entrevistados por King inclui todos os presidentes dos Estados Unidos desde 1974, líderes como Yasser Arafat, ou Vladimir Putin, e celebridades como Frank Sinatra, Marlon Brando e Barbra Streisand.

A última transmissão de “Larry King Live” foi em 2010, um programa emocionante com homenagens como, por exemplo, a do então presidente Barack Obama, que o considerava “um gigante da comunicação”.

Assim que se soube da notícia de sua morte, começaram a chegar homenagens da mídia, da política e do mundo do cinema de Hollywood. Entrevistado por diversas ocasiões por King, o presidente russo, Vladimir Putin, saudou a memória e “grande profissionalismo” do jornalista, anunciou o Kremlin.

“O presidente sempre apreciou seu grande profissionalismo e sua autoridade jornalística indiscutível”, afirmou o porta-voz do chefe de Estado russo, Dmitri Peskov, de acordo com a agência de notícias Ria Novosti. Putin elogiou seu “grande profissionalismo e autoridade jornalística inquestionável”, acrescenta o comunicado do Kremlin.

A correspondente da CNN Christiane Amanpour se referiu a ele como “um gigante da comunicação e um mestre da entrevista com celebridades, ou chefes e chefas de Estado”. Ela acrescentou: “Seu nome é sinônimo de CNN e foi vital para o crescimento da rede. TODOS queriam estar no Larry King Live. Que ele descanse em paz.”

A figura de “Star Trek” e das redes sociais George Takei destacou que King entendia “o triunfo e a fraqueza humana, igualmente”, enquanto a atriz Kirstie Alley, famosa pela série “Cheers”, dizia que ele era “um dos poucos apresentadores de ‘talk show’ que deixavam você falar”.

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Amor pelo rádio

Nascido Lawrence Harvey Zeiger, em 19 de novembro de 1933, em um lar humilde para imigrantes judeus russos no Brooklyn, King sempre disse que a única coisa que lhe interessava era ser locutor de rádio.

Aos 23 anos, mudou-se para a Flórida em busca de trabalho. Em 1957, tornou-se DJ de uma estação de rádio de Miami, quando mudou seu sobrenome para King porque o gerente lhe disse que Zeiger era “muito étnico”. Para outra estação de rádio de Miami, gravou transmissões de um restaurante com entrevistas feitas diante do público presente.

Em 1978, mudou-se para Washington para apresentar um programa de rádio noturno antes de ser detectado pela CNN. A rede fundada em 1980 contratou King em 1985 para colocá-lo no comando de suas transmissões noturnas. “Larry King Live” foi ao ar de 1985 a 2010, seis noites por semana, com um alcance de mais de 200 países. A CNN estimou que ele realizou cerca de 30.000 entrevistas.

No auge de seu sucesso, o programa atraiu mais de um milhão de telespectadores a cada noite e fez de King a estrela da televisão por assinatura, ganhando mais de US$ 7 milhões ao ano.

Diante das críticas por ser, às vezes, muito brando com seus convidados, respondeu: “Não estou interessado em humilhá-los, não estou interessado em elogiá-los”, disse ele à AFP em 1995. “Estou apenas curioso”, completou.

Depois de deixar a CNN, transmitiu entrevistas em seu site e, mais tarde, apresentou o programa “Larry King Now” no Russia Today, uma rede internacional financiada pelo governo.

Sua vida privada também foi única: casou-se oito vezes — duas vezes com a mesma parceira — e se divorciou oito vezes.

“Em vez de adeus, que tal até logo”, disse ele, com a voz embargada pela emoção, no último programa “Larry King Live”.

* Conteúdo Estado de Minas

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