Sobe para 58 o número de mortos por soterramentos na Zona da Mata; Polícia Civil mobiliza força-tarefa

A Polícia Civil informou que mais de 230 servidores atuam exclusivamente na ocorrência em Juiz de Fora

Sobe para 58 o número de mortos por soterramentos na Zona da Mata; Polícia Civil mobiliza força-tarefa
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira provocaram uma tragédia de grandes proporções. Até às 17h desta quinta-feira (26), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) contabilizou 58 mortes em decorrência de soterramentos registrados na região. 

De acordo com o balanço oficial, os Postos Médico-Legais registraram 52 vítimas no município de Juiz de Fora e seis em Ubá. Todas as mortes foram causadas por deslizamentos de terra.

Juiz de Fora concentra maior número de vítimas

Em Juiz de Fora, foram confirmados 52 óbitos. Segundo a PCMG, 51 corpos já foram identificados e 50 liberados aos familiares até o fechamento do boletim. Entre as vítimas estão crianças, adolescentes, adultos e idosos, com idades que variam de 2 a 78 anos. Um corpo do sexo feminino permanece sem identificação oficial.

No município de Ubá, seis mortes também foram confirmadas. As vítimas tinham idades entre 32 e 77 anos, e todos os corpos já foram identificados e liberados às famílias.

Polícia detalha mobilização e estratégias de identificação

No fim da tarde desta quinta-feira (26), a Polícia Civil detalhou as ações realizadas após os soterramentos. O chefe do Posto Médico-Legal do 4º Departamento da Polícia Civil, Glower Braga, destacou  que a instituição está à disposição para receber familiares de possíveis vítimas desaparecidas e orientou que procurem a delegacia para fornecer informações que possam auxiliar na identificação. “Estamos com mobilização e organização para atender toda essa demanda, com apoio da chefia da Polícia Civil, que está in loco, assim como da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), para tentar minimizar os impactos e a dor da população”, afirmou.

Identificação prioriza impressões digitais

A Superintendência de Polícia Técnico-Científica informou que a identificação das vítimas tem sido realizada prioritariamente por meio da papiloscopia, técnica que utiliza impressões digitais. O método é considerado mais rápido e de menor custo. Equipes de odontologia legal e do laboratório de DNA também foram mobilizadas para coletar exames odontológicos, radiológicos, fotografias e outros materiais que auxiliem nas análises antropológicas e médico-legais.

Nos casos em que não for possível a identificação por digitais ou exames odontológicos, será feita a coleta de material biológico de familiares para exame de DNA — procedimento considerado o último recurso, por demandar mais tempo e recursos.

Mais de 230 policiais atuam na operação

A Polícia Civil informou que mais de 230 servidores atuam exclusivamente na ocorrência em Juiz de Fora. Entre eles estão delegados, médicos-legistas, peritos criminais, investigadores e escrivães. Os trabalhos ocorrem de forma ininterrupta, dia e noite, para agilizar a identificação dos corpos e a localização de desaparecidos.

A partir desta sexta-feira (27), será realizado um mutirão para emissão de carteiras de identidade e certidões de nascimento. Uma equipe será deslocada de Belo Horizonte para atender desabrigados e desalojados, facilitando o acesso da população a benefícios sociais.

Alerta contra golpes

Durante o pronunciamento, a corporação também alertou sobre tentativas de golpes envolvendo transferências via Pix. A orientação é que doações sejam realizadas apenas por canais oficiais das instituições responsáveis.

As chuvas intensas continuam provocando deslizamentos e transtornos em diversos pontos da Zona da Mata. Equipes de resgate e autoridades locais seguem mobilizadas em meio ao cenário de luto e reconstrução.