Sobre água e diversificação econômica, gerente da Vale se limita a poucas palavras
Yamacita disse pouco sobre problemas críticos de Itabira
Questionado por DeFatoOnline a respeito do grave problema de abastecimento de água em Itabira e da tão debatida diversificação econômica, o novo gerente-geral da Vale, Júlio Yamacita, se limitou a respostas curtas e genéricas. O assunto foi abordado durante entrevista à imprensa, na manhã da última sexta-feira, 23, na Casa de Hóspedes da mineradora.
Sobre o abastecimento, o problema é grave e impede, por exemplo, o crescimento industrial do município – que fica à mercê da mineração. Empresas de segmentos diversos têm optado por cidades como São Gonçalo do Rio Abaixo, que vivem pleno desenvolvimento e não enfrentam, ainda, a escassez dos recursos hídricos. Ao ser perguntado, Yamacita disse apenas, olhando para os assessores, que “a Vale já colabora com várias captações”.
A assessora de comunicação, Roberta Matias, complementou a resposta do gerente e confirmou o andamento do projeto de captação na barragem Santana, em parceria com o município. O diretor técnico do Saae, Jorge Borges, já informou que a parceria diz respeito apenas ao desenvolvimento do projeto, mas quanto aos recursos (da ordem de R$ 9 milhões) ainda não há definições. Segundo Borges, a empresa se dispôs a ajudar o município a conseguir o dinheiro por meio de linhas de financiamento, mas não assumiu o custo.
A vazão prevista na captação da barragem é de 100 litros por segundo que, junto do projeto de captação no rio de Peixe, de 60 litros por segundo, terá capacidade para atender cerca de 60 mil pessoas. O projeto do rio de Peixe já foi tema de reportagem em DeFatoOnline.
Sobre a captação no rio Tanque, obra milionária que promete resolver de uma vez por todas o problema de água em Itabira, o gerente não disse nada. O edital de licitação para o projeto executivo deverá ser publicado ainda este ano. As fontes de recursos para a obra efetivamente também são desconhecidas. A Prefeitura conseguiu R$1,22 milhão do PAC2 para fazer o projeto executivo. Para as obras são necessários, no mínimo R$ 50 milhões. O rio Tanque está a 18 km do centro de Itabira.
Distrito Industrial
Acerca da industrialização de Itabira, Yamacita também se limitou a dizer que a empresa “tem todo interesse na diversificação econômica da cidade”. Ele declarou que este processo depende de “várias partes”, sobretudo da sociedade, que precisa atentar-se ao empreendedorismo.
A necessidade de se ter o Distrito Industrial III em Itabira foi apresentada com preocupação pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo de Itabira, Raymundo Nonato Moreira, na Câmara Municipal. Na ocasião, Nonato se queixou de dificuldades em conseguir recursos junto ao Estado para a construção do pátio industrial. O assunto repercutiu no seminário da Fiemg, com o secretário adjunto de Estado, e deve continuar sendo pauta de debate na sociedade. Da Vale não veio nenhum sinal positivo.
Apesar de morar em Itabira há 12 anos, o engenheiro de minas Yamacita assumiu há um mês e meio a gerência da mineradora na cidade. Talvez por isso não deu declarações mais precisas e aprofundadas sobre os problemas pontuais – e críticos –, que não dizem respeito só à área operacional de sua empresa.