“Sobrevivi, e agora eu quero viver”: após tentativa de feminicídio, Amanda Souza fala sobre episódios de violência, recomeço e novos planos
Amanda é estudante de Biomedicina, atua como especialista em bronzeamento artificial e também se dedica à escrita

Aos 22 anos, Amanda Lúcia Souza carrega no corpo e na memória as marcas de uma tentativa de feminicídio que quase tirou sua vida no dia 1º de abril, no bairro Penha, em Itabira. Em entrevista ao Portal DeFato Online, a jovem falou pela primeira vez sobre a violência sofrida, o relacionamento abusivo que antecedeu o crime e o processo de reconstrução que vem enfrentando desde então.
Amanda foi brutalmente esfaqueada por um homem com quem manteve um relacionamento por cerca de cinco anos. Segundo ela, o ataque foi o desfecho de uma relação marcada por controle, ameaças e ciclos de suposto arrependimento. “Ele já havia falado várias vezes que eu ia morrer na mão dele. Mas depois voltava pedindo desculpa, como se fosse outra pessoa. Eu acreditava que ele ia mudar”, contou.
No dia do crime, Amanda relata que o agressor já demonstrava comportamento alterado. “Ele passou várias vezes no local onde eu estava, mexeu comigo. Depois, quando fomos embora, já chegou muito nervoso e veio para cima de mim”, disse. A tentativa de feminicídio ocorreu na rua Santana, no bairro Penha, após um período em que ela tentava encerrar o relacionamento.
A jovem também revelou que vivia sob constante vigilância e restrições impostas durante o tempo de reacionamento. “Eu não saía sem a permissão dele. Até para coisas simples, como ir ao bar com amigas, eu tinha medo da reação dele”, afirmou.
Recomeço
Apesar dos sinais, Amanda admite que demorou a reconhecer a gravidade da situação. “A gente cria uma história, uma família, e acredita que a pessoa vai mudar. Eu não acreditava que ele seria capaz de fazer isso”, disse.
Após o ataque, ela foi socorrida em estado grave e sobreviveu. Hoje, encara um processo de recuperação física e emocional, que descreve como um “mix de emoções”. Ainda assim, destaca um sentimento que passou a ser central em sua vida: a liberdade. “A principal mudança é a liberdade. Hoje eu me sinto livre. Tenho esperança de viver coisas que eu já não tinha mais vontade”, afirmou.
Confira a entrevista em vídeo:
Ver essa foto no Instagram
Amanda é estudante de Biomedicina, atua como especialista em bronzeamento artificial e também se dedica à escrita. Em 2018 com apenas 15 anos, lançou o livro “No meio da estrada parei pra refletir” e agora pretende publicar uma nova obra, desta vez inspirada em sua própria história. “Quero colocar um pouco disso no livro e alertar outras mulheres”, disse.
Entre os planos, ela também cita a retomada dos estudos, o retorno às atividades esportivas e a expansão do próprio negócio. “Estou cheia de planos agora que estou livre para viver minha vida”, completou.
Alerta para outras mulheres
Ao falar diretamente com outras mulheres, Amanda faz um alerta baseado na própria experiência. “Qualquer sinal, saiam fora. Palavra é agressão, a forma de tratar é agressão. Não esperem chegar onde eu cheguei”, disse. Ela também destaca a importância de buscar apoio. “Falem com a família, não se calem. Se eu tivesse falado antes, talvez não precisasse passar por isso”, afirmou.




