Socorristas do Samu relatam exaustão e cobram melhorias; Estado promete reavaliar contratos e ampliar equipes

Durante audiência pública na ALMG, profissionais denunciaram sobrecarga e baixos salários. Governo anuncia grupo de trabalho para propor reajustes e novas contratações.

Socorristas do Samu relatam exaustão e cobram melhorias; Estado promete reavaliar contratos e ampliar equipes
Foto: Ascom/PJM

As duras condições enfrentadas pelos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) voltaram ao centro das discussões na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), durante audiência pública realizada nesta terça-feira (21). O encontro, solicitado pela deputada Beatriz Cerqueira (PT), teve como objetivo debater o custeio e as condições de trabalho dos servidores que atuam na linha de frente do atendimento de urgência no estado.

Entre os relatos emocionados, o depoimento da socorrista Silvana Corrêa, que atua em Belo Horizonte, chamou a atenção. Separada e mãe de duas filhas, ela trabalha em três ocupações diferentes para conseguir pagar as contas de casa.
Além da rotina intensa no Samu, com escala de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, Silvana ainda faz bicos como costureira e atua como atendente em uma unidade básica de saúde.

Eu vivo exausta. Trabalho praticamente todos os dias, em três lugares diferentes. A gente ama o que faz, mas é muito cansativo e, muitas vezes, o que recebemos não é suficiente para o tanto que a gente entrega”, desabafou.

De acordo com Silvana, a sobrecarga e a falta de valorização têm levado muitos colegas ao limite físico e emocional. “Muitos estão adoecendo, e ainda assim continuamos, porque as pessoas precisam do nosso trabalho”, completou.

Durante a audiência, representantes da Secretaria de Estado de Saúde anunciaram a criação de um grupo de trabalho para reavaliar os contratos do Samu e propor reajustes salariais, ampliação das equipes e melhoria na infraestrutura. O estudo deve ser concluído até o início de 2026 e visa equilibrar a carga de trabalho e reduzir o número de vínculos temporários.

A deputada Beatriz Cerqueira destacou que vai acompanhar de perto o cumprimento das promessas apresentadas.

“O Samu é um serviço essencial para salvar vidas, mas quem salva também precisa ser cuidado. Vamos cobrar que as medidas anunciadas hoje se tornem realidade”, afirmou.

Enquanto as mudanças não chegam, profissionais como Silvana seguem enfrentando longas jornadas e múltiplos empregos para sobreviver.

A gente socorre os outros todos os dias, mas também precisa de socorro”, resumiu a trabalhadora.