STF declara omissão sobre taxação de grandes fortunas, mas diz não poder criar o imposto

O julgamento analisou uma ação proposta pelo PSOL em 2019, que sustentava ser competência da União, prevista no Artigo 153 da Constituição

STF declara omissão sobre taxação de grandes fortunas, mas diz não poder criar o imposto
Foto: Antonio Augusto/STF/Flickr

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, nesta quinta-feira (6), a omissão inconstitucional do Congresso Nacional por não editar a lei que regulamenta o imposto sobre grandes fortunas. A Corte, no entanto, não estabeleceu um prazo para que os parlamentares aprovem a medida e ressaltou que o Judiciário não poderá criar o tributo caso o Legislativo não cumpra a determinação.

O julgamento analisou uma ação proposta pelo PSOL em 2019, que sustentava ser competência da União, prevista no Artigo 153 da Constituição, instituir o imposto mediante lei complementar. O partido argumentou que se trata de uma omissão persistente do legislador.

A advogada Bruna Freitas do Amaral, representante do PSOL, defendeu que a aprovação é necessária para concretizar a justiça social e a erradicação da pobreza, valores que também estão previstos na Constituição.

Na sessão, o ministro Flávio Dino foi favorável à declaração de omissão, criticando a estrutura tributária nacional. “O reconhecimento da omissão inconstitucional remete o debate à seara própria. Na esfera da política, as técnicas vão se propor de acordo com as visões plurais que marcam a vida democrática”, argumentou.

A ministra Cármen Lúcia destacou o longo período de espera pela regulamentação. “Na hora em que não se cobra, o sistema fica capenga em relação a uma parcela da sociedade. Me parece que, em 37 anos de vigência da Constituição, efetivamente, se tem uma omissão que pode ser declarada inconstitucional”, afirmou.

O entendimento pela omissão foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

O ministro Luiz Fux foi voto vencido, divergindo do colegiado. “Não há omissão constitucional. O Parlamento tem se debruçado sobre o tema, e nós temos que respeitar a opção política do Congresso”, defendeu.

* Com Agência Brasil.