Surdos narram obstáculos do dia a dia em seminário da Apasita
Palestrantes surdos do seminário “Minha História de Vida”
Histórias de vida contadas por surdos no 2° Seminário da Associação de Pais e Amigos dos Surdos de Itabira (Apasita), “Minha História de Vida”, emocionaram todos presentes. Seis palestrantes narraram suas lutas de inclusão social. Vanuza de Lima e Silva, Ana Paula de Oliveira, Pedro Henrique Gregorio, Samuel Dreyfus de Oliveira, Philipe Deivid Santos e Paola Nunes de Oliveira. Uma intérprete em Libras ajudou os participantes na comunicação. O encontro, que teve parceria da Funcesi, Aoadi e Senac, aconteceu nesse sábado, 6 de maio, de 8h às 17, na Funcesi.
A presidente da Apasita, Enilza Soares Gregório, acredita que após seminários e ações da associação o surdo está começando a entender a importância deles na cidade. “Todos possuem potenciais muito bons”, salientou. Para Enilza, no seminário os surdos puderam mostrar suas capacidades. “Normalmente eles ficam no banco, mas no seminário não, foi nós que ficamos sentados. Eles conduziram a palestra e se manifestaram”, contou.
A intérprete Silvana Sá, que regeu o seminário, espera que o encontro sirva para que os surdos sejam valorizados na sociedade. “Então, estou muito feliz porque acredito no potencial do surdo de Itabira. Sei que cada um de nós tem potencial. Só precisamos que acreditem na gente”, salientou, dizendo que “não podemos achar que os surdos são coitadinhos, porque não são. Eles só precisam ser valorizado”.
Após as histórias contadas pelos participantes, eles foram ovacionados sob os aplausos silenciosos da turma. No final, todos participantes ganharam uma lembrancinha especial de presente: o símbolo de “eu te amo” internacional em Libras.

Símbolo "eu te amo"
Inclusão
De acordo com Enilza Soares Gregório, a maior preocupação da associação é conseguir inserir os surdos no mercado de trabalho. Segundo Enilza, Itabira vive um problema: a libra está crescendo na cidade, mas, ao mesmo tempo, não gera inserção dos surdos na sociedade. “Temos que conciliar as duas coisas, dar oportunidade para o ouvinte ajudar o surdo”, frisou.
Conquistas
A Câmara de Vereadores de Itabira aprovou no inicio de abril deste ano o Projeto de Lei 19/2017, que institui a Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas seções públicas do município.
A lei diz respeito à necessidade de atendimento aos surdos na Prefeitura, secretarias, autarquias, fundações e Câmara. A ideia é que o Executivo disponibilize intérpretes nas repartições públicas com atendimento externo e nos eventos institucionais realizados. Outro ponto é que o município deveria treinar servidores para se comunicarem em Libras dentro do que estabelece a Lei Federal.
A associação
A Apasita foi criada por pais de surdos em Itabira. A associação surgiu a partir de reuniões realizadas há mais de dez anos entre seis pais de deficientes auditivos. Hoje, a Apasita conta com 30 membros, entre pais, amigos, surdos e intérpretes.
Um dos objetivos da entidade é aproximar todas as famílias que possuem membros com surdez em Itabira e, com isso, proporcionar mais qualidade de vida aos associados.
Quer fazer parte da associação, saber mais informações ou colaborar? Entre em contato através do telefone (31) 98572-4547. O endereço provisório do grupo é na rua Tabelião Waldemar de Alvarenga Lage, 378, bairro Água Fresca.