Tablet: um universo de possibilidades na sua mão

Finos, leves, com design moderno e funcionalidades diversas como acesso à internet, editor de textos e fotos, leitor de livros e outras, os tablets são a nova mania de quem adora tecnologia. Eles ainda não são vendidos oficialmente no Brasil, mas já estão nas mãos de famosos e anônimos e em diversos programas de TV. […]

Finos, leves, com design moderno e funcionalidades diversas como acesso à internet, editor de textos e fotos, leitor de livros e outras, os tablets são a nova mania de quem adora tecnologia. Eles ainda não são vendidos oficialmente no Brasil, mas já estão nas mãos de famosos e anônimos e em diversos programas de TV. "O tablete já pegou", diz o editor do Tecnoblog, especializado na área de tecnologia, Rafael Silva.

Assim como aconteceu com o iPhone, que virou ícone da telefonia celular, o iPad, também da Apple, é o mais cobiçado dos tablets. Lançado em abril nos Estados Unidos, ele foi homologado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em agosto, o que significa que está em conformidade com as normas brasileiras e já pode ser vendido no país. A expectativa é que as operadoras de celular e a própria Apple comecem as vendas em novembro.

O iPad é vendido nas versões wi-fi e 3G. De 16GB, o valor é de US$ 499 e o de 32GB custa US$ 599. Já o de 64GB, sai por US$ 699. As versões 3G custam US$629 (16GB), US$ 729 (32GB) e US$ 829 (64 GB), conforme consta no site da Apple (www.apple.com). No Brasil, o valor deve ser no mínimo o dobro, mas especula-se que não sairá por menos de R$ 1.650, podendo chegar a R$ 2.700 a versão mais completa. Mesmo antes das vendas oficiais, pelo menos 20 mil iPads já funcionam no Brasil, segundo levantamento da consultoria Hands feito em julho. Na época, eles eram responsáveis por 3,1% do acesso móvel à internet no país.

De acordo com uma pesquisa da Nielsen realizada nos Estados Unidos, os donos de iPads são, em sua maioria, homens (65%) e jovens (63% deles têm até 35 anos). O perfil é diferente entre usuários de outros produtos eletrônicos. O Kindle, leitor de livros digitais da Amazon, por exemplo, atrai público mais velho e mais avesso à publicidade online.

O iPad tem seu reinado ameaçado. A Samsung já lançou o Galaxy Pad no exterior e vai trazer o equipamento para o Brasil até o fim do ano. A Microsoft também desenvolve um tablet.

Perguntas

Preciso ter um plano de banda larga para usar um tablet? 
Não necessariamente. É possível usar a rede wi-fi (conexão sem fio) em casa ou em pontos onde existam "hotspots" (pontos de conexão). Belo Horizonte tem hotspots em 70% das áreas públicas da cidade, como praças, parques e rodoviária, e em locais como shoppings, aeroportos e lojas. Seu uso pode ser grátis ou pago. No caso do 3G, é preciso contratar um plano de dados com uma operadora de celular.

Onde posso comprar?
Por enquanto, os tablets não são vendidos no Brasil, mas podem ser comprados no exterior e usados sem problemas no país. O mais comum é as pessoas trazerem dos Estados Unidos, quando estão em viagens. De acordo com a Receita Federal, cada pessoa pode importar uma unidade dentro do limite de US$ 500. O que estiver acima desse valor será tributado em 50%(o imposto é cobrado sobre o que excede US$ 500, não sobre o valor total).


Galaxy Pad

Samsung. O tablet da Samsung foi lançado em setembro na Europa e vai chegar ao Brasil até o fim do ano. O equipamento é leve – pesa cerca de 380 gramas – tem tela de sete polegadas e conta também com duas câmeras, o que representa um avanço em relação ao iPad, que não tem nenhuma. A câmera convencional tem 3MP, foco automático e flash LED, enquanto a câmera frontal de 1.3MP permite a realização de videochamadas e videoconferência.


Playbook

Rim. A Rim, fabricante do Blackberry, lançou o Playbook no final de setembro, mas ele só estará à venda nos Estados Unidos em 2011. No Brasil, não há previsão. Ele tem duas câmeras e função multitarefas, que permite executar vários aplicativos ao mesmo tempo. O iPhone 4 tem essa função, mas o iPad, não. O Playbook tem conexão wi-fi e a Rim promete, nas próximas versões, conexão 3G e até 4G, mas ainda sem data para lançamento.


Latitude XT2

Dell. O maior diferencial do Latitude XT2, da Dell, é a tela giratória. Assim como os concorrentes, o tablet é leve, ágil e tem tela sensível ao toque (segundo o fabricante, a tela é sensível, inclusive, ao toque de baixa pressão). Tem duas portas USB, que não estão presentes no iPad, por exemplo. A tela é maior que a dos concorrentes, com 12 polegadas, mas o equipamento também é mais pesado, com 1,64 kg. Custa R$ 8.000 na loja online da Dell.


Kindle

Amazon. Primeiro dispositivo móvel a chegar ao mercado, o Kindle, da Amazon, causou sensação. Eficiente leitor de livros, ele não desempenha as outras funções dos tablets, como conexão à internet, câmera e interface com outros equipamentos que usam USB. Com ele, o leitor pode passar páginas dos livros e até fazer anotações no rodapé. Custa a partir de US$ 279 nos Estados Unidos e mais que o dobro no Brasil.

Tablet faz parte do cotidiano

DANIEL IGLESIAS
O analista de sistemas Humberto Massa chegou a cortar um chip convencional para adaptar ao iPad. Hoje, ele usa a conexão wi-fi e leva o iPad "disfarçado de caderno" para as aulas de pós-graduação. "Não chama atenção e, em caso de queda, fico menos preocupado", diz.

gustavo andrade
"O mestre do iPad". É assim que os alunos do colégio São Paulo da Cruz conhecem o gerente de tecnologia da informação da escola, Guilherme Gustavo de Souza Lima. "O iPad virou referência. Tem aluno que nem sabe o meu nome", conta.

gustavo andrade
Toda vez que o publicitário Allan Goulart chega em uma reunião com um novo cliente levando o trabalho que será apresentado em seu iPad, o foco da conversa muda. "Nos dez primeiros minutos da reunião, o assunto é ele (o tablet)", diverte-se.

 
PONTOS FRACOS
Para usuários, faltam câmera, USB e uso de flash
 

 os usuários mais entusiasmados do iPad apontam falhas no tablet. O analista de sistemas Humberto Massa sente falta de uma câmera. "Minha irmã mora na Alemanha e eu ia gostar se pudesse conversar com ela pelo Skype, via iPad", diz.

Já o publicitário Allan Goulart reclama da falta de uma porta USB, para conexão de pen drives e outros equipamentos. "Para mim, é uma dificuldade", afirma. Ele usa o iPad a trabalho e pretende esperar uma nova versão para comprar um para uso pessoal. "Para mim, esse é o maior ponto fraco. Acredito que uma nova versão deve vir com essa atualização", afirma. É possível solucionar o problema com um hardware vendido na loja da Apple.

O ilustrador Alexandre Starling Rodrigues só tem uma reclamação: não conseguir realizar muitas atividades ao mesmo tempo. "Ele devia ser multitarefas, como o iPhone 4", afirma. Os usuários reclamam ainda que o iPad não roda sites com recursos em Adobe Flash (aqueles com movimento), o que dificulta o acesso a alguns conteúdos. Os sites que usam flash também têm dificuldades para ser mapeados pelo Google. (APP)

Eles amam seus iPads

T.P.M./Divulgação
Luciana Gimenez foi a primeira a aparecer em rede nacional usando um iPad. Três dias depois que o aparelho foi lançado nos Estados Unidos, ela já apresentou o "Super Pop" com um.

ALEXANDRE GUZANSHE - 19.3.2008
O bilionário Eike Batista aderiu ao iPad em maio e só lê jornais pelo tablet. Ele pretende usar tecnologia similar, com telas sensíveis ao toque, em seu hotel no Rio de Janeiro, o Glória.

Joao Miguel Junior/Divulgação
O apresentador Luciano Huck comprou um iPad poucas semanas depois do lançamento nos Estados Unidos, em abril, e festejou via Twitter. "Estou louco no meu iPad. Divertido!", escreveu.

Equipamento tem maior taxa de adoção

Rio de Janeiro. O iPad se tornou o aparelho eletrônico com mais rápida adoção entre os consumidores, com 3 milhões de unidades vendidas no primeiro trimestre, a partir do lançamento em abril, revela uma pesquisa da Bernstein Research publicada no site CNBC, nos Estados Unidos. O ritmo de vendas é três vezes maior que o do iPhone e supera em quase dez vezes o eletrônico fora da categoria de telefones que liderava o ranking até então: os tocadores de DVD venderam 350 mil unidades no primeiro ano.

Nesse ritmo, o iPad levará os tablets a ultrapassarem, no ano que vem, celulares e consoles de videogame e se tornarem a quarta maior categoria de eletrônicos para consumidores nos Estados Unidos, atrás apenas dos televisores, smartphones e notebooks. A Bernstein estima uma receita de US$ 9 bilhões com os aparelhos.