Exatamente daqui um ano, no mês de julho, Londres será sede das próximas Olimpíadas. Milhares de atletas representarão seus países em 26 modalidades esportivas. Mas a realidade costuma ser bem diferente entre equipes de uma nação e outra. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, é comum atletas de potencial enfrentarem dificuldades para continuar a carreira. Em Itabira é ainda pior. Quem alimenta esse sonho precisara ir embora da cidade, por falta de incentivo financeiro.
O itabirano Talles Frederico Sousa, 19 anos, atleta de salto em altura, teve que se mudar para São Paulo para manter viva a esperança de se manter como atleta profissional. Dono de um currículo invejável, sua trajetória no esporte chamou a atenção do clube Pinheiros, de São Paulo. A mudança para São Paulo aconteceu por não ter encontrado patrocínio em Itabira. “Nunca tive patrocínio nem da Prefeitura e nem de empresários. Em São Paulo me ofereceram salário, ajuda de custo, material e toda uma estrutura para meu treino, o que me possibilitaria evoluir mais”, conta.
Antes de ir para o Pinheiros, Talles já havia conquistado o 1º lugar no Brasileiro Juvenil de Salto em Altura e era Campeão Brasileiro Sub-23, com recorde brasileiro absoluto de 2,23m. Também participou do Mundial de Juvenis em Moncton, no Canadá. Ostentava ainda no currículo um primeiro lugar do Ranking Brasileiro nas categorias adulto, sub-23 e juvenil, além de sétimo lugar no Ranking Mundial Juvenil. Mesmo com o retrospecto, os empresários locais não quiseram investir. “Para eles, quem treinava em terrão, nunca chegaria a nível mundial. Hoje eu provei o contrário”, diz orgulhoso.
Formação
A administradora da Associação Itabirana de Atletismo (AITA), Francislene da Silva, é técnica de adolescentes praticantes de atletismo e foi também a primeira treinadora de Talles. Ela se diz decepcionada ao ver um atleta lapidado ter que ir embora de Itabira para poder continuar a evoluir. “A cidade tem meninos com muito potencial, mas que dificilmente serão revelados sem apoio empresarial. A prefeitura nos ajuda com transporte, alimentação, mas não temos uma estrutura local que possibilite que o atleta possa realizar seus treinos e ficar em Itabira”, lamenta.
Um dos fundadores do Projeto Associação Criança do Amanhã, Martinho Oliveira, ensina Taekwondo gratuitamente para crianças e adolescentes entre sete e dezoito anos. O professor acredita que falta nos projetos sociais e entidades esportivas gente apta a captar recursos junto às empresas. “Muitas vezes, no momento de procurar um empresário, a forma de abordagem não é correta e consequentemente o resultado não será favorável”, explica.
Com tristeza, Martinho se recorda de mais uma atleta que precisou sair de Itabira para se manter competindo em alto nível: a campeã brasileira de Taekwondo Érica Adriane Ferreira. Depois de chegar a um nível de seleção olímpica, foi também para São Paulo em busca de estrutura e subsídios.
As atletas Jaqueline Carvalho e Jenifer Poliana também tiveram que tomar a mesma atitude, sair da cidade. Outros não tiveram a mesma oportunidade e tiveram que parar de treinar por falta de ajuda. Foi o caso do atleta Marcus Vinícius. Bicampeão Brasileiro de Taekwondo, duas vezes campeão Pan Americano e 4º lugar no Mundial em sua categoria.
Ajuda do Município
O secretário Municipal de Esporte e Lazer, Oldeni José, diz que a Prefeitura de Itabira investe em todos os esportes e tem convênios anuais com entidades que atuam no segmento. Para o atletismo, o apoio é dado à Associação Itabirana de Atletismo e para a Speed Fox. No Taekwondo, contempla o Projeto Criança do Amanhã e, no Handebol, a Associação Amigos de Alguém. Apóia também a Ginástica Olímpica por meio do Projeto Salto para o Futuro.
A prefeitura, segundo o secretário, obviamente não pode oferecer o suficiente para bancar tudo, mas o apoio dado é capaz de cobrir cerca de 60% dos custos. Todos os atletas registrados recebem ajuda. “Quando se fala em patrocínio, o executivo não tem legalidade para patrocinar com um valor mensal. Mas todos os atletas filiados a entidade tem ajuda em transporte, alimentação, e nós não temos faltado”.
Sobre o caso de Talles, o secretário diz que, enquanto estava em Itabira, o atleta era filiado a AITA e teve apoio da prefeitura para seu transporte aos campeonatos brasileiros e Pan Americano de Taekwondo. Para os demais atletas, recomenda filiação em entidades locais.