“Tarifaço” atinge 63% das exportações de Minas para os EUA e preocupa indústria
FIEMG aponta que apenas 37% da pauta exportadora do Estado escapou da nova alíquota de 50% imposta pelos EUA e cobra ação diplomática do governo federal
A imposição de uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, oficializada na quarta-feira (30) pelo presidente Donald Trump, acendeu um sinal de alerta entre os setores produtivos de Minas Gerais. A medida, que eleva para 50% a carga tarifária total sobre a maioria dos itens da pauta exportadora nacional, teve impacto imediato nas análises da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que convocou uma reunião emergencial do Conselho Tributário nesta quinta-feira (31).
De acordo com a FIEMG, apenas 37% das exportações mineiras aos EUA foram contempladas na lista de exceções do tarifaço — percentual inferior à média nacional de 43%. Entre os setores que seguem penalizados estão o do café, carnes, etanol e açúcar, produtos que ocupam posição de destaque no comércio exterior do Estado.
“Estamos diante de uma medida que penaliza de forma desproporcional a pauta exportadora mineira. Produtos fundamentais para a geração de emprego, arrecadação e equilíbrio da balança comercial foram deixados de fora das isenções”, afirmou Edwaldo Almada, presidente do Conselho Tributário da FIEMG, durante a reunião.
O economista-chefe da entidade, João Gabriel Pio, apresentou estimativas que apontam para perdas bilionárias no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, em razão da perda de competitividade internacional e do redirecionamento de contratos comerciais. Mesmo com a isenção de setores como petróleo, metalurgia, aeronaves e equipamentos industriais, a análise é de que o impacto sobre a indústria mineira será significativo.
Zema anuncia pacote de apoio
No mesmo dia em que a medida foi publicada pelo governo norte-americano, o governador Romeu Zema (Novo) se reuniu com mais de 100 representantes da indústria mineira, na sede da FIEMG, e anunciou um pacote emergencial de apoio ao setor exportador.
Entre as medidas estão a liberação de R$ 200 milhões em linhas de crédito subsidiadas pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com juros de 0,9% ao mês, e a monetização de R$ 100 milhões em créditos acumulados de ICMS.
“As empresas ainda serão identificadas e os tetos definidos. Mas o objetivo é dar fôlego imediato aos setores atingidos e preservar a competitividade das nossas exportações”, declarou o governador.
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FIEMG pede ação diplomática urgente
A FIEMG reforçou, em nota oficial, a necessidade de uma atuação firme do governo federal para reverter ou ao menos mitigar os efeitos da medida junto às autoridades norte-americanas. A entidade também sugeriu a devolução direta de créditos acumulados de ICMS, negociação emergencial de débitos tributários e maior flexibilidade em contratos de fornecimento de energia e gás para as indústrias mineiras.
“O impacto sobre Minas será profundo, sobretudo se considerarmos a importância do setor agroindustrial e da cadeia da cana-de-açúcar no estado. É imprescindível garantir suporte institucional e diplomático para preservar a saúde da nossa economia”, alertou a federação.
O decreto assinado por Trump entra em vigor no dia 6 de agosto e inclui justificativas políticas e jurídicas contra o governo brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes, alegando ameaças aos direitos humanos e ao Estado de Direito no País.
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